
No segundo dia do Rolê REC’n’Play, a mesa “Costurando Territórios: Moda da Zona da Mata ao Agreste” reuniu nomes de peso para discutir como tradição, identidade e inovação se entrelaçam na moda produzida em Pernambuco. O encontro aconteceu em clima de troca potente entre experiências locais e projeções globais, com participação de Mikaela Gomes (modelo pernambucana radicada na Europa e fenômeno nas redes sociais), Nestor Mádenes (diretor criativo), e Analú Araújo (estilista e produtora de moda), sob mediação de Luiz Clério Duarte Júnior.
A conversa percorreu as raízes culturais da região, refletidas em materiais como o barro e o jeans, e destacou como essas linguagens visuais se transformam em identidade estética. “Estamos muito inseridos em uma identidade cultural muito forte no Agreste. São elementos que contam nossa história e se encontram no visual da moda que produzimos”, afirmou Analú.
De Tracunhaém para o mundo, Mikaela Gomes compartilhou sua trajetória no universo da moda, marcada por desafios de afirmação de identidade. “Quando comecei, a primeira coisa que queriam era que eu perdesse meu sotaque, que fosse uma tela em branco. Demorei para me reencontrar, é preciso força para manter quem a gente é nesse mercado. A gente nasce com orgulho enorme de ser pernambucano, e isso se reflete na moda e na arte”, disse a modelo, que soma milhões de visualizações em vídeos que misturam humor e bastidores do mercado fashion.
Já Nestor Mádenes, com mais de 30 anos de carreira, chamou atenção para a necessidade de fortalecimento do setor no estado. “O mercado de moda em Pernambuco precisa se unir e se movimentar para ser visto lá fora. Hoje temos cada vez menos cursos e oportunidades de formação, o que enfraquece a cena local”, pontuou.
O debate reforçou que a moda brasileira — especialmente a produzida no Nordeste — tem qualidade e criatividade à altura das grandes casas internacionais, mas ainda carece de valorização dentro do próprio país. Como lembraram os palestrantes, peças como o crochê encantam o público estrangeiro, mas muitas vezes não recebem o devido reconhecimento em território nacional.
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