Mãe e filho participam do Embarque Digital juntos (Crédito: Porto Digital)

Quando Rafaela Dayana decidiu voltar a estudar, aos 35 anos, a ideia inicial era simples: acompanhar o filho, Akillys Silva, na época com 15 anos, que se preparava para um processo seletivo de escola técnica. O que ela não imaginava é que, anos depois, os dois estariam compartilhando algo muito maior: a experiência de cursar o ensino superior dentro do mesmo programa de bolsas, o Embarque Digital, iniciativa da Prefeitura do Recife com o Porto Digital.

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Hoje, aos 38 anos, Rafaela é veterana do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Faculdade Senac, está no quarto período e atua como monitora do Laboratório de Inovação do Porto Digital. Neste semestre, ela passou a dividir ainda mais de perto essa jornada com o filho, com 18, agora calouro no mesmo curso e instituição.

Para ela, o momento é carregado de significado. “É uma realização profunda e a prova de que todos os sacrifícios valeram à pena. Olhar para ele no Ensino Superior é perceber que todo o esforço fez sentido. Sinto-me realizada por vê-lo chegar lá, ou melhor, aqui.”

Recomeços e novos caminhos

Por muito tempo, a possibilidade de ingressar na faculdade nem passava pela cabeça de Rafaela. Como mãe solo, a prioridade dela sempre foi garantir que o filho tivesse acesso à educação. “Meu foco era que ele não parasse de estudar. Eu não imaginava que também chegaria à faculdade”, conta.

Curiosamente, foi o próprio Akillys quem apresentou o Embarque Digital à mãe. “Ele ainda não podia concorrer às bolsas, porque não tinha concluído o Ensino Médio, então ficou insistindo para que eu tentasse, já que eu já vinha estudando com ele e tinha feito o Enem, também com o incentivo dele.”

Rafaela tentou ingressar no primeiro edital de 2024, mas ficou no remanejamento, sem conseguir ingressar. Meses depois, com a abertura de um novo edital com bolsas financiadas pelo Banco Santander, tentou novamente, sendo aprovada desta vez.

Uma jornada compartilhada

Para Akillys, ver a mãe retornar aos estudos e conquistar espaço na universidade foi motivo de orgulho. “Foi muito gratificante. Estar nessa jornada ao lado dela me ajudou a manter o foco. Criou uma conexão ainda maior entre a gente.”

Ao longo do processo, o apoio foi mútuo. Enquanto Rafaela incentivava o filho a seguir em frente, ele também contribuía nos desafios da rotina acadêmica. “Minha mãe sempre me incentivava a continuar. Então tentava ajudar ela também, principalmente com a parte de tecnologia”, relembra.

Educação como transformação

Para os dois, a oportunidade de estudar com bolsa dentro do ecossistema de inovação representa uma mudança concreta de vida. “O Embarque Digital não é apenas uma bolsa, é uma transformação. Está mudando o futuro do meu filho e o meu também. Estar aqui, com minha família estruturada e estudando ao lado dele, é algo que supera os meus melhores sonhos”, afirma Rafaela.

Na visão de Akillys, a conquista também tem um significado coletivo. “Estamos construindo um novo futuro. Talvez não sejamos os primeiros da família na tecnologia, mas somos os primeiros a viver isso juntos.”

Ao olhar para trás, ambos reconhecem que a trajetória foi marcada por desafios e superação. Se pudessem voltar ao início, deixariam uma mensagem simples: “Calma, as noites difíceis vão passar. Não desistam, porque a recompensa vale à pena”, aconselha Rafaela.

Para Akillys, o recado se estende a outras famílias. “Todo mundo consegue com esforço e dedicação. Para quem quer mudar de vida, o caminho existe, basta continuar tentando.”

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