Recife se prepara para debater o futuro da sustentabilidade na saúde, confrontando a recuperação financeira do setor com desafios estruturais que travam a inovação
Por Fernando Sales*

Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) no relatório Balanço Observatório – 8ª edição, lançado em janeiro deste ano, o setor de saúde suplementar no Brasil encerrou o ano de 2025 com um cenário ambíguo. Se, por um lado, os dados mostram uma recuperação financeira, com 77,1% das operadoras apresentando resultados positivos e um lucro líquido acumulado de R$ 16,84 bilhões até o terceiro trimestre, por outro, a estrutura do sistema permanece sob “forte pressão de custos” e tensões entre os elos da cadeia.
Dentro desse contexto, eu gostaria de destacar três pontos cruciais levantados pelo último relatório da ANAHP que podem ensejar reflexões importantes para os atores da cadeia de saúde suplementar:
1. O abismo da prevenção
Um dos dados mais alarmantes do relatório revela que o investimento em programas de prevenção não alcança nem 0,5% das receitas do mercado. Em 2025, o indicador atingiu o menor nível da série histórica, fixando-se em apenas 0,25%. Enquanto o sistema gasta 46,72% de suas despesas com internações hospitalares, a base da pirâmide — o cuidado preventivo — segue negligenciada.
2. Transição para o valor (modelos de pagamento)
A forma como se paga pela saúde está mudando, mas em ritmo desigual. O modelo de pagamento por pacotes, que incentiva a eficiência em vez do volume, saltou de 3,8% em 2019 para 12,8% em 2025. Essa migração é vista como um remédio vital para conter a variação de custos médicos hospitalares (VCMH), que continua a crescer sistematicamente acima da inflação geral (IPCA).
3. Gargalo da eficiência
A sustentabilidade do setor é ameaçada por atritos financeiros severos. O relatório aponta que a taxa média de glosas inicial chega a 18,02% na fase de negociação. Contudo, apenas aproximadamente 10% dessas glosas (1,84%) são mantidas ao final do processo. Esse descompasso, somado a um prazo médio de recebimento de 78,51 dias para os hospitais, cria um “estrangulamento” de caixa que impede investimentos em novas tecnologias.
Como podemos investir em saúde se gastamos tudo com a doença?

Tendo esse cenário desafiador, a Conexão Saúde do Porto Digital, em parceria com a Vision One, está organizando um evento para debatermos questões relacionadas à sustentabilidade da saúde suplementar na próxima quarta-feira, dia 29 de março de 2026, a partir das 17 horas no Hospital HOPE na Ilha do Leite, Recife.
O evento “Como podemos investir em saúde se gastamos tudo com a doença?” contará com a participação de pessoas de referência no mercado, trazendo visões a partir de diferentes pontos de vista da cadeia de saúde suplementar.
- Rafael Mendes – CEO do Grupo Vision One
- Claudia Alencar – Head de Saúde da Avanade
- André Sansonio – Co-founder da Novvus
- José Iran Costa Jr – Advisor da Conexão Saúde (Porto Digital)
Venha entender conosco porque a saúde suplementar está sendo cada vez mais pressionada a mudar de modelo de negócio apesar da melhoria nos principais indicadores de performance dos últimos anos!
As inscrições já estão abertas: https://app.jalanlive.com/cnxsaudepd4
Fernando Sales é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista-chefe da Conexão Saúde do Porto Digital

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