Vinícius Guedes, CEO da Volund (Crédito: Rodrigo Guerra/Divulgação)

O Extreme Group, que já atua no Porto Digital, no Recife, por meio da Extreme Digital Solutions (EDS), passou a investir no desenvolvimento de software com uso de agentes de inteligência artificial com a criação da Volund.

O movimento ocorre em um momento de expansão desse segmento. Segundo a consultoria MarketsandMarkets, o mercado global de soluções baseadas em IA autônoma deve saltar de US$ 5,1 bilhões em 2024 para US$ 47,1 bilhões até 2030.

O modelo no qual essas entidades inteligentes passam a participar ativamente de todas as etapas do ciclo de desenvolvimento de software também tem sido chamado de “engenharia agêntica“.

Diferente dos modelos tradicionais de IA, que operam dependente de comandos diretos, a engenharia agêntica propõe a construção de sistemas compostos por agentes autônomos, capazes de tomar decisões, executar tarefas e interagir entre si para alcançar objetivos mais complexos. No caso da Volund, essas tarefas incluem, por exemplo:

  • levantamento de requisitos;
  • proposta técnica e comercial;
  • decomposição de backlog;
  • geração e revisão de código;
  • validação e documentação final da entrega.

A metodologia foi aplicada pela primeira vez pelo Extreme Group durante o desenvolvimento da Legis, uma plataforma de gestão jurídica que centraliza, em um único sistema, as principais rotinas de advogados, escritórios de advocacia e departamentos jurídicos no Brasil.

Ilustração mostra agentes de IA atuando de forma coordenada

“A Volund nasce com o objetivo de trazer para dentro do ecossistema o que há de mais avançado em engenharia de software baseada em inteligência artificial”, afirma o CEO do Extreme Group, Gustavo Rabelo.

“Acreditamos que, em dois anos, nenhum órgão público ou grande empresa estará discutindo se é ou não factível reconstruir um sistema legado ou tirar uma ideia ambiciosa do papel. Essa discussão tende a deixar de existir. O tempo para materializar soluções digitais complexas está caindo rapidamente, e o gargalo deve deixar de ser técnico para se tornar uma questão de imaginação”, diz Vinícius Guedes, CEO da Volund.

Qual o papel dos humanos?

Nesse contexto, o papel dos profissionais passa por um reposicionamento, com foco em atividades estratégicas e de valor agregado, especialmente na supervisão dos agentes de IA. Esse trabalho envolve:

  • arquitetura de sistemas;
  • garantia de qualidade;
  • decisões de negócio;
  • relacionamento com clientes;
  • orquestração dos próprios agentes.

Espera-se que o profissional seja capaz de compreender o ciclo completo de desenvolvimento de software e conduzi-lo com a autonomia da IA, utilizando os agentes como amplificadores de capacidade.

Os humanos também permanecem responsáveis por garantir o uso ético e transparente da IA, especialmente no que se refere à proteção de dados proprietários e ao treinamento de modelos.

“Não falamos em substituição de profissionais, porque o modelo é outro: cada pessoa passa a ter uma capacidade de entrega exponencialmente maior”, resume a empresa.

Metas

A Volund pretende entregar projetos corporativos em um período de aproximadamente 15 dias. A meta é alcançar mil projetos até 2030, com escalonamento gradual do modelo. Para isso, a empresa deve atuar tanto no setor público quanto no privado, com foco em desafios nas áreas de governo, saúde e serviços financeiros.

O Extreme Group também reúne marcas como EDS, Beyond, EDX, Pointer e GPS IT, somando cerca de 2 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 600 milhões. Com a Voland, a projeção é atingir R$ 830 milhões de faturamento acumulado em quatro anos.

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