A Europa tem se consolidado como um terreno promissor para startups brasileiras em fase de crescimento que buscam ampliar sua atuação internacional de forma sustentável.

A forte cultura regulatória europeia acabou impondo limites ao ritmo de inovação em muitas organizações tradicionais, fazendo com que o bloco europeu busque acelerar sua transformação digital diante da corrida tecnológica liderada por Estados Unidos e China.

“Empresas tradicionais europeias precisam de soluções práticas e prontas para uso. Startups brasileiras podem oferecer esse tipo de digitalização, contribuindo diretamente para a transformação digital desses negócios”, afirma Marcela Valença, Country Operations Manager do Cais do Porto, hub de internacionalização do Porto Digital na Europa.

Além da demanda por novas tecnologias, o continente reúne cerca de 440 milhões de habitantes e economias maduras, com uma diversidade significativa de mercados. 

Esse cenário é reforçado por um ecossistema de inovação cada vez mais conectado, apoiado por políticas públicas e programas de fomento à tecnologia, pesquisa e desenvolvimento (iniciativas que também podem ser acessadas por empresas brasileiras).

Portugal como porta de entrada

Aveiro fica localizada no Centro-Norte de Portugal (Crédito: Divulgação)

Com ambiente regulatório estável, custos competitivos e integração com a União Europeia, Portugal tem se destacado como porta de entrada para empresas internacionais que desejam acessar o mercado europeu. A proximidade histórica e cultural também torna o país particularmente atraente para startups brasileiras.

É em Aveiro, no centro-norte de Portugal, que está sediado o Cais do Porto. A cidade possui conexão estratégica com Lisboa, Madrid e Porto.

Esse braço internacional do distrito de inovação já recebeu três turmas de empresas em programas de internacionalização. A primeira contou com apoio do Sebraetec, a segunda foi do Projeto Vale Incubadoras e a terceira foi viabilizada por meio de chamada realizada em parceria com a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação do Governo de Pernambuco. Uma nova chamada está atualmente aberta.

Entre as empresas participantes estão empresas de diferentes segmentos de tecnologia e serviços digitais, como bebook, Capyba, Cognvox, di2win, Diorama Digital, Even3, Guestdash, ITnext, Jalan, Job Comunicação, Medcenter, Meets, Mesa, NavalPort, Pluvi, Rade, Souv, Tatodesk (Consenso Tech), Uaify, Verdanatech e VM Code.

Desafios da internacionalização

O Brazil Tech Days é um evento promovido pelo Cais do Porto, hub de internacionalização de empresas do Porto Digital. Crédito: Porto Digital/Divulgação

Apesar das oportunidades, a diversidade de mercados europeus implica diferenças culturais, regulatórias e de comportamento do consumidor entre os países. Além disso, o nível de exigência e a concorrência costumam ser elevados.

Marcela Valença ressalta que a entrada no mercado europeu exige planejamento estruturado e visão de longo prazo.

“É essencial preparar a empresa em diferentes dimensões: adaptar o modelo de negócio ao mercado local, estruturar adequadamente os aspectos jurídicos e fiscais, definir uma estratégia comercial clara e, sobretudo, compreender profundamente o cliente europeu. Investir em presença local, networking qualificado e parceiros estratégicos faz toda a diferença para reduzir riscos e acelerar resultados”, explica.

Como funciona o programa

O processo de acompanhamento do Cais do Porto inclui avaliação e diagnóstico das empresas e de seus produtos ou serviços, pesquisa de mercado personalizada, mentorias, eventos de conexão para networking e assessoria jurídica e contábil para a abertura da empresa em Portugal. Também são realizadas rodadas de pitching com potenciais clientes e investidores.

O programa de internacionalização tem duração de dez meses. Nos quatro primeiros, as atividades acontecem na modalidade online. Em seguida, ocorre uma etapa presencial em Aveiro, com acesso à infraestrutura física e endereço fiscal na sede do Cais do Porto.

A imersão também insere as empresas em uma comunidade que compartilha editais e oportunidades de acesso a fundos europeus de inovação.

Já a pesquisa de mercado considera as diferenças culturais e regulatórias entre as regiões do continente, segmentando o cenário europeu em áreas como Europa Ibérica, Europa Central e Leste Europeu. Nesse contexto, Portugal funciona como ponto de partida para a expansão no restante do bloco.

“A conquista do mercado europeu melhora a rentabilidade e fortalece a reputação da empresa, tanto na Europa quanto no Brasil. O cliente europeu leva algum tempo para conhecer uma empresa, mas, uma vez conquistada a confiança, o próprio mercado passa a recomendar o serviço para outros clientes”, afirma Valença.

Mais do que ampliar presença geográfica, a internacionalização representa um processo de amadurecimento que reposiciona a empresa em um novo patamar de atuação global.

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