
O desafio de equilibrar custos e ampliar a prevenção em saúde passa, cada vez mais, pelo uso estratégico de dados, pela inovação e pela revisão de modelos de negócio. Esse foi o eixo central de um encontro promovido pela comunidade Conexão Saúde, do Porto Digital, realizado nesta quarta-feira (25), no HOPE, no Recife, em parceria com a Vision One.
O debate reuniu lideranças do setor para discutir caminhos diante de um cenário ainda marcado por distorções. Hoje, as internações concentram 46,72% das despesas médicas, enquanto o investimento em prevenção não chega a 0,5% das receitas, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP).
Importância do uso eficiente de dados
Entre os pontos destacados, a interoperabilidade — capacidade de diferentes sistemas compartilharem e utilizarem dados de forma integrada — apareceu como peça-chave para transformar o modelo atual. Para André Sansonio, cofundador da Novvus, o setor ainda lida com uma fragmentação de informações que limita decisões mais eficientes.
“Os dados contam histórias, mas ainda não se conectam. A criação de padrões para troca de informações, inclusive pelo governo federal, pode acelerar esse processo. Ao mesmo tempo, é preciso estimular a inovação aberta também nas organizações privadas”, afirmou.
Na mesma linha, o CEO da Vision One, Rafael Mendes, destacou que o melhor uso dessas informações pode gerar ganhos em toda a cadeia. “A riqueza de dados permite melhorar o atendimento ao paciente, reduzir desperdícios e qualificar a relação com operadoras. Mas isso exige testar e adaptar novos modelos de negócio, inclusive com referências de outros setores”, disse.
Transformações estruturais e culturais
A discussão também passa por entraves estruturais. Para Claudia Alencar, head de saúde na Avanade, já existem tecnologias capazes de ampliar a prevenção, mas barreiras culturais, regulatórias e de modelo econômico ainda limitam esse avanço. “Quando dominamos dados e tecnologia, conseguimos identificar onde atuar de forma preventiva. O desafio é criar condições para que isso, de fato, aconteça”, pontuou.
Diretor da Santa Casa de Misericórdia de Pernambuco, José Iran Costa Junior ressaltou que a incorporação de tecnologias no setor nem sempre resulta em ganho de escala ou redução de custos — um indicativo de que mudanças mais profundas são necessárias. “A cultura é determinante. Ainda operamos com modelos de remuneração que não incentivam a prevenção. Já há iniciativas que apontam novos caminhos, mas é preciso avançar”, afirmou.
Ao reunir diferentes atores, o encontro reforçou o papel do Porto Digital como articulador de debates estratégicos para o futuro da saúde, conectando tecnologia, gestão e inovação em busca de soluções mais sustentáveis para o setor.

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