Plataformas reúnem informações de relevância para a tomada de decisões estratégicas no setor de TIC

* Por Luiz F. Maia Filho
Como os diferentes estados do Brasil se posicionam, no ranqueamento relativo a indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação, como o número de doutores titulados a cada 100 mil habitantes? É possível, em uma única plataforma, a visualização dos principais indicadores econômicos da cidade do Recife? Como tem evoluído, nos últimos meses, o número de incidentes de segurança digital no Brasil? Quais as principais tendências do setor, em diferentes cidades e regiões do país?
Dados confiáveis e indicadores consistentes tornaram-se ativos estratégicos no ambiente tecnológico contemporâneo. Para empresas, governos e instituições de ensino e pesquisa, compreender – em profundidades – a dinâmica dos ecossistemas de empreendedorismo e inovação é, mais do que nunca, condição essencial para se planejar investimentos, formular/reformular políticas públicas e (claro!) identificar gargalos, riscos e oportunidades.
Não por acaso, nos últimos anos, ampliou-se de forma significativa o número de observatórios e painéis interativos voltados à organização, visualização e análise de dados sobre o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Tais recursos, veiculados através de websites e plataformas de livre acesso, embora ainda enfrentem desafios de sustentabilidade (continuidade) e frequência de atualizações, são muito oportunos e merecem maiores atenção e valorização.
Conheça as plataformas
Painéis e observatórios cumprem uma série de papéis fundamentais; entre eles, destacam-se o acesso a dados concebidos e capturados por fontes primárias; a seleção, compilação e combinação de dados para a construção de indicadores inéditos; e a estruturação de mecanismos de visualização analítica (gráficos, infográficos e diagramas customizáveis), que subsidiam decisões específicas de diferentes grupos de usuários.
O trabalho técnico, de verdadeira curadoria, pode reduzir assimetrias de informação e qualificar os debates em torno de questões de extrema importância neste 2º quarto do século XXI, como a inclusão digital, a transformação dos negócios, os novos hiatos na formação profissional e a crescente adoção da Inteligência Artificial nos ambientes de trabalho.
A seguir, são apresentados títulos, links e breves descrições de 7 painéis e observatórios de livre acesso, com dashboards de dados estruturados e consultáveis, que ilustram bem a qualidade dos recursos que vem sendo oferecidos. Longe de constituir uma lista exaustiva de fontes essenciais aos tomadores de decisão no setor de TIC, as plataformas aqui reunidas têm sido de uso frequente por profissionais do Núcleo de Gestão do Porto Digital – que, por sinal, prepara o lançamento de um novo Painel de Inteligência da Mercado, com proposta inédita, fruto da parceria entre o Porto Digital e o Governo de Pernambuco.
Confira!
1. Observatório OCTI 🔗 https://data.cetic.br/
Descrição: O Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação (OCTI), do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE-MCTI) realiza o monitoramento da produção científica, tecnológica e da inovação, acompanhando tendências locais, nacionais e globais. Frequência variada, dados de 2017 a 2024.
2. Plataforma de Dados do Cetic.br 🔗 https://data.cetic.br/
Descrição: Ferramenta de visualização interativa com os principais indicadores provenientes de uma pesquisa anual sobre uso e apropriação das TIC no Brasil; traz painéis temáticos (TIC Empresas; TIC Educação; TIC Saúde) bem organizados para consulta dinâmica. Frequência bianual, dados de 2015 a 2025.
3. Painel de Informações do Novo CAGED 🔗 https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho/novo-caged
Dashboard de acompanhamento do mercado de trabalho formal no Brasil, permitindo cortes setoriais e de subsetores, por raça/cor, gênero e grau de instrução; dispõe de dados de admissões, desligamentos e variações salariais. Frequência mensal, dados de 2020 a 2026.
4. Observatório Softex 🔗 https://observatorio.softex.br/dashboard/
A página oferece não apenas um conjunto respeitável de estudos e análises de políticas, como um crescente número de dashboards (painéis interativos de dados), incluindo os de levantamentos anuais sobre a indústria de software e serviços de TIC no Brasil. Frequência anual, alcance nacional, períodos variados.
5. Observatório Econômico do Recife 🔗 https://conecta.recife.pe.gov.br/servico/1117
A plataforma, uma das mais completas entre as capitais brasileiras, permite visualização e análise detalhadas do panorama econômico da cidade – bem como sua comparação com outras cidades e regiões do país. Fornece insights valiosos para governantes, investidores, estudantes e o público em geral. Frequências mensal e anual, alcance local, regional e nacional, períodos vão de 2012 a 2026 (embora variem bastante, conforme o indicador analisado).
6. Painel de Incidentes de Segurança – CERT.br 🔗 https://cert.br/stats/
Painel com gráficos dinâmicos sobre incidentes de segurança (invasões, denial of services, malware, phishing, etc.) reportados no Brasil, com filtros por tipo de ataque e período — um recurso essencial para análises de cibersegurança. Frequências anual e mensal, alcance nacional, períodos de 1999 a 2026.
7. Hub Goiás (Porto Digital), Mapeamento do Ecossistema Goiano de Inovação 🔗https://hubgoias.org/mapeamento-do-ecossistema/
Focado no contexto regional, o painel (edição 2025) constitui um bom exemplo de mapeamento de ecossistema de inovação, com informação sobre as instituições de apoio, startups, APL’s, ambientes dedicados à inovação, universidades e comunidades independentes. Recortes sub-regionais e municipais permitem análises comparativas para a construção de políticas públicas e o subsídio a decisões empresariais. Frequência anual, dados atualizados para 2025.
Dados na tomada de decisão
A crescente disponibilidade de painéis de dados estruturados – via Power BI ou outros visualizadores interativos online – sinaliza maturidade no uso de indicadores sobre os diversos contextos em que as TIC têm avançado.
Eles não apenas reúnem números antes dispersos e de difícil acesso, mas principalmente permitem explorar tendências ao longo do tempo, cruzar variáveis e personalizar visões analíticas, fortalecendo decisões estratégicas em empresas e governos.
* Luiz Maia é pesquisador do Porto Digital e professor da UFRPE

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