Equipe da Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Faculdade Católica Imaculada Conceição do Recife (FICR) desenvolveu uma plataforma web desenhada para reverter o desengajamento escolar na rede municipal

Aprender tecnologia na faculdade e aplicar na prática para resolver problemas da própria cidade. Foi essa a trajetória de Yasmim Laís, Ítalo Vinicius, Miguel Arcanjo e Adrews Silva, alunos do Embarque Digital no 2º período de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Faculdade Católica Imaculada Conceição do Recife (FICR). Juntos, eles conquistaram o primeiro lugar no hackathon HackEdu, realizado durante o Festival de Programação e Robótica do Recife 2026.
A participação dos estudantes no evento aconteceu por meio da formação em robótica oferecida pela Residência Tecnológica do Porto Digital, em parceria com o Centro de Educação, Tecnologia e Cidadania (CETEC), da Prefeitura do Recife.
Liderada por Yasmim e Ítalo, a equipe desenvolveu o EDUCRIA Degrau, plataforma web desenhada para reverter o desengajamento escolar na rede municipal. A solução oferece um painel individual, onde cada estudante acompanha sua evolução no próprio ritmo com dados privados, e uma área coletiva, que acumula pontos para a turma a partir de atividades registradas pelo professor.
“A plataforma separa bem a pontuação individual da coletiva para evitar que o estudante sinta que está puxando a turma para baixo, o que geraria o efeito oposto do que queríamos”, explicou Ítalo Vinícius.
Para ele, encarar a dor real da sala de aula exigiu honestidade técnica. “Qualquer decisão que ignorasse o contexto escolar ia resultar em uma solução inviável na prática. No final, entendemos que a decisão de atacar o problema diretamente, sem enfeitar a proposta, foi a certa.”
Da escuta atenta à tecnologia com empatia

Para Yasmim Laís, o diferencial da equipe começou antes mesmo da escrita do código. Durante a maratona, os estudantes saíram da zona de conforto para entrevistar professores e alunos da rede municipal que circulavam pelo festival.
“O mais difícil foi lapidar as ideias e definir as funcionalidades em um tempo muito apertado”, relata Yasmim. “Minha preocupação inicial era entender as dores reais do público para gerar impacto de verdade. Ver a evolução de tudo sob pressão e coroar a jornada sendo destaque foi uma sensação maravilhosa”, completou.
A proximidade entre quem desenvolve a tecnologia e quem a utiliza foi destacada por Priscilla Dutra, Coordenadora do Programa Robótica na Escola no CETEC. Segundo ela, o fato de os estudantes virem da rede pública cria uma identificação genuína com os desafios das escolas do Recife.
“Quando o estudante desenvolve uma solução para outro estudante, ele enxerga a questão não apenas pela perspectiva técnica, mas também humana”, avaliou Priscilla.
Ainda de acordo com a coordenadora, isso prepara além das habilidades técnicas, porque ajuda também a desenvolver empatia, escuta e capacidade de trabalhar em equipe. “Criar tecnologia não é só fazer algo funcionar, é compreender uma necessidade e propor algo que realmente faça sentido no dia a dia da sala de aula.”
Prática que transforma conhecimento em experiência

A conquista reforça o papel da Residência Tecnológica em conectar os conhecimentos da graduação a desafios reais de inovação e robótica na cidade. Bruna Neves, da coordenação da Residência Tecnológica do Porto Digital, destaca que a vivência no festival consolida esse modelo de aprendizagem baseado em problemas reais.
“O festival encoraja os alunos a colocarem a ‘mão na massa’. Quando eles conquistam um reconhecimento como esse, demonstram competências que vão além do código, como autonomia, pensamento crítico e resolução de problemas complexos”, afirmou Bruna.
Para Neves, essa parceria transforma conhecimento teórico em experiência real, formando profissionais muito mais preparados para o mercado e para a sociedade.

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.