Pesquisa da empresa embarcada no Porto Digital mostra que diagnóstico é a principal aplicação da tecnologia e identifica que custos e integração com sistemas são desafios para ampliar seu uso na saúde

Uso da IA na saúde cresce entre médicos (Crédito: Magnific)

A Inteligência Artificial já faz parte da rotina de uma parcela significativa dos médicos brasileiros. É o que aponta a primeira edição da pesquisa O Uso de Inteligência Artificial por Médicos no Brasil, realizada pela MV, empresa embarcada no Porto Digital. Segundo o levantamento, 66,1% dos médicos participantes utilizam ferramentas de IA de forma regular ou ocasional em suas atividades profissionais.

Realizado entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026, o estudo ouviu 196 profissionais do ecossistema de saúde, entre eles 112 médicos em atuação ou formação nas cinco regiões do país. Os resultados indicam que a adoção da tecnologia já ultrapassou a etapa de experimentação e começa a ocupar funções diretamente relacionadas à assistência.

O diagnóstico aparece como uma das principais portas de entrada da IA na prática médica. Entre os profissionais que utilizam a tecnologia, 56,6% afirmam aplicá-la como apoio à decisão clínica, em atividades como interpretação de exames, sugestão de códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID) e correlação de sintomas.

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A pesquisa também identificou um aumento da confiança entre os profissionais que já utilizam essas ferramentas: a confiança média é 26% maior entre médicos que usam IA regularmente do que entre aqueles que nunca experimentaram a tecnologia.

O levantamento também mostra que a adoção não está necessariamente concentrada entre os profissionais mais jovens. Médicos com seis a 20 anos de formação são os que apresentam maior disposição para investir nas ferramentas com recursos próprios. Nesse grupo, 85,7% afirmam que pagariam por soluções de IA, com um ticket médio mensal estimado em R$ 111.

Custo e integração ainda são desafios

Uso da IA na saúde cresce entre médicos, aponta pesquisa (Crédito: Magnific)

Apesar do cenário de adesão, a expansão da IA na saúde encontra obstáculos estruturais. O custo de implantação ou assinatura foi apontado por 30,4% dos médicos como a principal barreira para a adoção, seguido pela dificuldade de integração com sistemas de prontuário e gestão já existentes, mencionada por 22,3% dos participantes.

As exigências também variam de acordo com o ambiente de atuação. Enquanto profissionais da rede pública dão maior peso à relação entre custo e retorno sobre o investimento, médicos da rede privada demonstram maior preocupação com treinamento e comprovação de evidências científicas das ferramentas.

Para a MV, o cenário representa uma mudança na relação entre tecnologia e assistência. A empresa avalia que a infraestrutura digital construída nas últimas décadas criou as condições para uma nova etapa, na qual a IA passa a participar de processos relacionados à decisão clínica.

Saúde e tecnologia em aproximação no Porto Digital

Murilo Guerra (SEBRAE-PE), Pierre Lucena (Porto Digital) e Vaninho Antonio (Hospital Real Português) durante o REC’n’Play Capítulo Saúde, no NERD

O movimento identificado pela pesquisa da MV ocorre em um momento de aproximação cada vez maior entre os ecossistemas de saúde e tecnologia no Recife.

A comunidade Conexão Saúde, coordenada pelo Porto Digital, tem reunido profissionais de saúde, tecnologia e inovação e busca aproximar hospitais, operadoras, pesquisadores, startups e empresas de tecnologia. A iniciativa vem promovendo debates sobre temas como uso estratégico de dados, inteligência artificial, sustentabilidade e transformação da assistência.

Essa aproximação ganhou uma nova estrutura com o NERD – Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital, plataforma de negócios do Porto Digital que organiza conexões a partir de verticais de mercado e competências transversais. Entre as verticais está a de Saúde, ao lado de áreas como Indústria, Finanças, Turismo, Varejo e Energia, enquanto Inteligência Artificial, Cibersegurança, ESG, Capital e Futuro do Trabalho aparecem como competências transversais.

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Na prática, a proposta é criar pontes entre quem conhece os desafios de cada setor e quem desenvolve as tecnologias capazes de respondê-los. Na vertical de Saúde, o NERD conta com uma rede de curadores especializados e vem articulando hospitais, startups, empresas e profissionais. A experiência já resultou em dezenas de reuniões de negócios entre empresas e startups do setor.

Um dos principais marcos dessa estratégia foi o REC’n’Play Capítulo Saúde, realizado em agosto no NERD. A primeira edição temática do festival reuniu profissionais da saúde, pesquisadores, startups, empreendedores e lideranças dos dois ecossistemas para discutir inteligência artificial, dados, interoperabilidade, novos modelos de negócio e futuro da assistência.

A programação também incluiu uma oficina dedicada à criação de um copilot clínico, aproximando a discussão sobre IA das aplicações práticas na medicina. A MV Saúde, que é a maior heatlhtech da América Latina foi uma das patrocinadoras do evento.

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