Por Emídia Felipe, com colaboração de Acácia Morena e Júlia Malheiros*

Um mercado de R$ 20,5 bilhões pulsa no Brasil e quer investir em inovação e transformação digital para ganhar mais competitividade, reduzir custos, melhorar a experiência dos clientes e aumentar receitas. Estamos falando do setor turístico, no qual muitas oportunidades estão esperando startups sedentas para resolver problemas com soluções digitais. O desafio de unir essas pontas está sendo endereçado por entidades como o Porto Digital. O que precisamos é mais pessoas empreendedoras olhando para esse mercado.

Vista aérea da praia de Boa Viagem no Recife (PE). Crédito: Rafa Medeiros/Prefeitura do Recife
Vista aérea da praia de Boa Viagem no Recife (PE). Crédito: Rafa Medeiros/Prefeitura do Recife

A cifra do início do texto vem do levantamento Faturamento do Turismo Nacional, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O setor não só se recuperou pós-pandemia como superou os valores registrados desde 2012. Os desafios, claro, também aumentaram: processos administrativos, gestão de reservas, treinamento de equipes e logística estão entre eles. Mas a experiência do cliente se destaca, uma vez que os turistas querem mais facilidade e conectividade. 

Apesar do tamanho do mercado turístico, startups especializadas em turismo, as turistechs ou traveltechs, ainda são incomuns no ecossistema brasileiro. Tanto que elas não aparecem em mapeamentos nacionais, como o Startups Report Brasil 2024, que considerou um total de 18.056 startups no País. Por outro lado, empresas focadas na área fazem levantamentos específicos e mostram que tem gente se movimentando. Informações da Onfly dão conta de que há mais de 200 empresas atuando com tecnologia e inovação para o turismo e viagens, incluindo segmentos como mobilidade, experiências, agenciamento e reservas online, eventos, gestão de viagens e hospedagem.

Nordeste é campo aberto de oportunidades

Focando em uma visão nordestina, a criação e atuação de startups focadas em turismo (turistechs) no ainda se mostra incipiente. Das empresas mapeadas pela Onfly, somente 6,3% são do Nordeste. Um dos motivos dessa escassez tem base num contexto maior, no qual o fomento à inovação como um todo ainda é muito concentrado no Sudeste — onde, inclusive, estão mais de um terço de todas as startups, de todos os segmentos do País. É no Sudeste também que estão iniciativas como o Turistech Hub, em São Paulo, uma das únicas especializadas em fomentar conexões para aproximar startups do trade turístico regional. 

Por outro lado, sem dúvida, o Nordeste é a maior oportunidade do Brasil para inovação no turismo. Dados da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) mostram o tamanho do mercado: o setor movimenta cerca de 10% do PIB da região, o que equivale a cerca de R$ 140 bilhões anuais. 

Somados às percepções que temos coletado junto a pessoas que atuam fortemente no mercado de turismo e de tecnologia, esses dados mostram que o Nordeste tem margem para atuações ecossistêmicas, de forma mais ampla e estruturada. Isso inclui potencial para mais negócios digitais, compartilhamento de boas práticas e troca de experiências com o setor turístico. 

Diante desse cenário, o Porto Digital está atuando em busca de mais parcerias e programas de articulação que ampliem a oferta de boas soluções digitais com foco em problemas do turismo — e tem encontrado receptividade em instituições como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene); o laboratório de inovação da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (EmbraturLAB); e a seccional pernambucana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH PE).

Destino Futuro: por mais inovação no turismo

Uma das iniciativas que buscam acelerar as conexões entre startups e setor turístico é o Destino Futuro, programa da Sudene, Embratur e Porto Digital. Mais de 100 projetos concorreram a uma das 5 vagas para fechar contrato com a Sudene e a Embratur, em que as startups vão receber recursos para validar soluções digitais em empresas turísticas, que não terão custos. De regeneração de corais a crédito via blockchain, os projetos vão ser referência para todas as empresas do setor no Nordeste.

Se conseguirmos canalizar os esforços institucionais ao mesmo tempo em que pessoas empreendedoras enxergam o mar de oportunidades que o turismo nordestino oferece, vamos encontrar as empresas do trade que mais precisam dessas parcerias. É hora de alçar as velas para um futuro em que o turismo une pessoas e meio ambiente em negócios habilitados pela tecnologia, sem abrir mão da sustentabilidade financeira, social e ambiental. Você vem com a gente?

* Emídia Felipe é gestora de inovação corporativa no Núcleo de Gestão do Porto Digital, entidade que articula o ecossistema do Porto Digital, maior distrito de inovação da América Latina. 

* Acácia Morena é Diretora de Inovação Aberta na Numerik, que toca o Turistech Hub, baseado em São Paulo 

* Júlia Malheiros é líder da Assessoria Estratégica da seccional pernambucana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH PE) 

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