
Colocar em prática o que se aprende em sala de aula é um dos maiores desafios da formação acadêmica. Mas é, também, uma das experiências mais valiosas desse processo. É justamente quando o conhecimento sai do ambiente teórico e passa a ser introduzido no dia a dia, como solução para desafios reais, que o aprendizado ganha novos significados.
E é isso que vem acontecendo com estudantes da Residência Tecnológica do Porto Digital. Seja em projetos acadêmicos e institucionais ou em demandas que surgem em casa, eles aplicam o que aprendem em sala de aula aliando conhecimentos técnicos a habilidades humanas indispensáveis para a profissão, como escuta, empatia e capacidade de observação, com o objetivo de resolver problemas e tornar a vida das pessoas mais prática.
Usando a tecnologia em casa
Indo para o quarto período do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, o estudante Diogo Nascimento colocou o conhecimento adquirido na faculdade à prova ao topar um desafio inesperado e um pouco urgente. A duas semanas da festa de aniversário de 15 anos da sua irmã, ele atendeu um pedido do seu pai, que procurava por uma plataforma para criar uma lista de presentes online, mas encontrou apenas serviços pagos e fora do orçamento. A solução precisou vir de casa.

“Meu pai me ligou à noite perguntando se eu conseguiria fazer um site para a lista de presentes, mas teria que ser para ‘ontem’”, relembra Diogo, que, apesar da insegurança, topou o desafio.
Como já havia desenvolvido outros sites em trabalhos acadêmicos, ele conseguiu criar a base do sistema na mesma noite, deixando apenas alguns ajustes de layout e organização para os dias seguintes.
Utilizando HTML, CSS, JavaScript e o Firebase Realtime Database como back-end, o estudante criou uma solução simples, funcional e personalizada, que permitia que os convidados escolhessem os presentes sem expor as escolhas publicamente.
“Me surpreendi quando vi tudo funcionando no dia seguinte. Os botões ficando indisponíveis à medida que os convidados iam selecionando os presentes e os nomes sendo registrados no banco de dados. Foi muito gratificante perceber que algo que eu tinha aprendido na faculdade conseguiu ajudar a minha família”, complementou.
Melhorando a experiência acadêmica
Enquanto Diogo atendeu a uma demanda familiar, a estudante Vanessa Matias, que está indo para o quarto período de ADS, atuou em uma iniciativa com viés mais acadêmico.
Ao longo do semestre de 2025.2, ela integrou o time de monitores do Laboratório de Inovação do Embarque Digital, e uma de suas atribuições foi de colaborar com a construção de um “Portal do Aluno” em parceria com a coordenação da Residência Tecnológica.
“A gente precisava de um mecanismo que centralizasse informações importantes que ficavam em canais separados, o que dificultava o acompanhamento das atualizações por parte dos estudantes”, conta Vanessa, que ficou responsável pelo levantamento de requisitos, etapa fundamental para entender as necessidades reais dos usuários antes do desenvolvimento técnico.
Sua atuação foi supervisionada por Victor Sotero, coordenador pedagógico da Residência Tecnológica, que deu detalhes do andamento do projeto.
“Ainda está em desenvolvimento, mas já apresenta um esboço validável e um formulário para coleta de informações dos estudantes. Vamos trabalhar o front-end, que corresponde à parte visual do produto, para que a gente possa começar a utilizar”, explicou Victor.
Para Vanessa, a experiência de atuar em um projeto relevante garantiu um ganho de confiança profissional.
“Um projeto dessa dimensão tem uma troca constante de ideias, baseada tanto em projetos da faculdade quanto em experiências pessoais, e isso torna o processo mais tranquilo e colaborativo. Esse trabalho em equipe me proporcionou uma aprendizagem contínua, me prepara a gente para o mercado real”, finalizou.
Aprender fazendo
Apesar de distintas, as duas experiências mostram como o aprendizado ganha sentido quando aplicado a problemas reais. Seja ajudando na organização de uma festa de família ou melhorando a comunicação em um ambiente acadêmico, os estudantes colocam em prática habilidades técnicas, desenvolvem autonomia e constroem confiança profissional.
“Seja curioso”, aconselha Vanessa aos estudantes que estão começando. Já Diogo reforça a importância de respeitar o próprio ritmo: “Faça o básico bem feito. Isso já te coloca acima da média”.
Mais do que projetos pontuais, essas iniciativas mostram que desenvolver soluções “em causa própria” pode ser um passo decisivo na formação de profissionais mais preparados, conscientes e conectados com a realidade que os cerca.

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