Profissionais de Recursos Humanos e recrutamento de empresas como Capgemini, EY, Deloitte, MV e TI Saúde destacam algumas competências valorizadas nos processos de seleção de candidatos

Quem busca uma primeira oportunidade, seja de estágio ou emprego, ou quem almeja crescer na carreira já deve ter se perguntado. “O que as empresas realmente avaliam na hora de contratar?”. Mais do que experiência técnica ou um currículo impecável, o mercado tem valorizado cada vez mais habilidades comportamentais, postura e vontade de aprender.
Para entender melhor esse cenário, conversamos com profissionais de Recursos Humanos e recrutamento de empresas de tecnologia embarcadas no Porto Digital, que revelaram o que realmente faz a diferença em um processo seletivo.
1. Vontade de aprender
Entre todos os critérios citados, um aparece de forma quase unânime: a vontade de aprender. Para Carla Messias, gestora de projetos da Capgemini, esse é um dos principais diferenciais na hora da contratação. Segundo ela, características como proatividade e disponibilidade para absorver novos conhecimentos têm sido mais determinantes do que o conhecimento técnico isolado.
“Hoje, a gente busca muito mais isso em um profissional. É mais fácil trazer pessoas com vontade de aprender e vê-las deslanchar na carreira”, destaca.

2. Comunicação
A Tech Recruiter Sênior da EY, Karen Miranda, tem uma percepção similar. Ao selecionar jovens talentos para o programa de entrada da empresa, o EY FastPass, ela observa aspectos como comunicação, curiosidade, postura e interesse genuíno em se desenvolver.
Segundo ela, essas características podem ser percebidas ao longo de todo o processo seletivo, especialmente na forma como o candidato se posiciona e compartilha suas experiências. “Não precisa ser só estágio. Projetos da faculdade, trabalhos voluntários e vivências de vida também contam muito”, explica.
3. Iniciativa
Se antes o foco estava no currículo, hoje o comportamento tem ganhado protagonismo. Isabel Paiva, Analista de Recursos Humanos Sênior da Deloitte, afirma que a empresa busca perfis protagonistas, com iniciativa e interesse constante em evolução. “Entre as características mais valorizadas por nós, estão dinamismo, resiliência, senso de urgência, ética e boa comunicação”.
A busca por inovação também aparece como um fator importante. Profissionais que demonstram interesse em propor soluções, aprender coisas novas e se adaptar a diferentes contextos tendem a se destacar.
4. Relacionamento interpessoal

Isso significa que as competências comportamentais têm ocupado um espaço cada vez maior nos processos seletivos. Para Vivian Balbino, Analista de Gente e Gestão da MV, habilidades como relacionamento interpessoal, senso de pertencimento, orientação para o cliente e capacidade de resolver problemas são essenciais no dia a dia das empresas.
“Mais do que executar tarefas, o profissional precisa saber trabalhar em equipe, se comunicar bem e lidar com desafios de forma colaborativa”, explica.
5. Proatividade
De acordo com Gabriela Araújo, Coordenadora de RH da TI Saúde, aspectos como proatividade, senso de responsabilidade e alinhamento com a cultura da empresa são fundamentais.
Apesar da valorização das habilidades comportamentais, o currículo não deixou de ser relevante, especialmente para quem ainda não possui experiência profissional. O histórico acadêmico também pode ser um diferencial importante nesse início de trajetória. “Quando o candidato ainda não tem experiência, o currículo acadêmico passa a ter um peso maior”, explica.
Para quem está começando, o recado do mercado é que não basta apenas dominar conteúdos técnicos. Empresas estão em busca de pessoas que queiram aprender, que saibam se comunicar, que tenham iniciativa e que estejam dispostas a crescer junto com o negócio.
Outros diferenciais
Experiências acadêmicas, projetos pessoais e até vivências fora do ambiente profissional podem ser decisivos para mostrar esse potencial. Mais do que preencher uma vaga, o objetivo das empresas é encontrar talentos com capacidade de desenvolvimento e adaptação. E, nesse cenário, a atitude pode valer tanto quanto conhecimento.

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