
Primeiro período da graduação, primeiro hackathon e, logo na estreia, o primeiro lugar. Foi assim que Anamel Thaís, Brenna Lyra, Júlia Aquino e Luma Frazão, estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da CESAR School por meio do programa Embarque Digital e participantes da Residência Tecnológica do Porto Digital, encerraram a participação no Vibe Hacka GRRRL, hackathon promovido pelo Centro de Informática da UFPE (CIn) no final de abril.
A equipe desenvolveu o ADA+, uma plataforma criada para apoiar mulheres 40+ em transição de carreira para a área de tecnologia, e conquistou o primeiro lugar da competição criada para incentivar o protagonismo feminino nas áreas de STEM, sigla do acrônimo em inglês para “Science, Technology, Engineering and Maths” (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).
As estudantes conheceram o hackathon por meio de um grupo da faculdade e, quando souberam que haviam sido selecionadas, criaram um grupo entre si para participar do desafio juntas. O tema do projeto foi definido por sorteio, e a solução precisou ser construída ao longo da maratona, realizada em apenas um dia. “Tirando as pausas para lanchar, tivemos um total de seis horas para construir a ideia, desenvolver a solução e criar o pitch de apresentação”, lembra Brenna Lyra.
Mesmo sendo “iniciantes”, elas usaram o fato de já chegarem à competição juntas a favor, além de ainda estarem muito conectadas aos conhecimentos recém-adquiridos em sala. “A gente estava muito em sintonia, e isso ajudou muito. Decidimos a solução de forma rápida e tudo foi fluindo com muita facilidade. Cada uma foi administrando uma demanda de forma muito intuitiva, mas sem deixar de se preocupar com o todo, porque era importante que todas dominassem o processo”, contou Luma Frazão.
Uma disciplina de projetos cursada recentemente por elas foi fundamental para o bom andamento de todas as etapas da proposta das meninas. “A gente tinha acabado de defender um trabalho na faculdade, que era de construir um projeto, então tudo estava ‘fresco’ na cabeça. Eu tinha uma espécie de checklist mental do que um projeto precisava ter, e isso foi trazendo segurança para nossa equipe, porque fomos percebendo que estávamos atendendo aos requisitos”, complementou Brenna.
Tecnologia como ponte para recomeços

A solução desenvolvida pelas estudantes foi o ADA+, uma plataforma digital pensada para apoiar mulheres maduras que desejam migrar para a área de tecnologia. A proposta surgiu da percepção de que essa transição muitas vezes acontece sem direcionamento, apoio ou referências próximas. No ambiente desenvolvido, as usuárias poderiam acessar fóruns e espaços de troca com mulheres que já atuam no setor, fortalecendo redes de apoio e compartilhamento de experiências. Além disso, o ADA+ também disponibiliza cursos introdutórios gratuitos em diferentes áreas da TI, funcionando como um percurso guiado para ajudar cada usuária a descobrir com qual área mais se identifica.
A proposta ainda inclui elementos de gamificação, acompanhando os avanços das usuárias ao longo da jornada e incentivando a continuidade do aprendizado. “Queríamos tornar esse caminho mais acessível, guiado e possível para mulheres que estão começando agora”, destacou Luma.
Uso consciente da inteligência artificial
Durante o hackathon, a equipe também utilizou ferramentas de inteligência artificial como apoio no processo de construção da solução. Para Júlia Aquino, a experiência serviu não apenas para explorar possibilidades tecnológicas, mas também para refletir sobre os limites da própria IA. “A experiência ajudou a gente a entender até onde a IA pode contribuir e em que momento precisamos colocar a mão na massa”, comentou.
Segundo ela, houve momentos em que a tecnologia não conseguia responder exatamente ao que a equipe precisava. “Mesmo aprimorando os prompts, a IA nem sempre devolvia o resultado esperado. E isso fez a gente perceber que algumas coisas funcionavam melhor quando eram feitas por nós mesmas”, emendou Aquino.
Representatividade que gera pertencimento
Para além do resultado, as estudantes destacam o impacto emocional e simbólico da participação em um ambiente pensado para mulheres na tecnologia. Para Anamel Thaís, o hackathon representou um passo importante não apenas na trajetória profissional, mas também no fortalecimento da autoconfiança.
“Foi meu primeiro hackathon e acabou sendo um ambiente extremamente acolhedor. A gente se sentia segura para experimentar, tentar e até errar. Isso dá muita confiança e vontade de produzir”, disse.
A diversidade de participantes também ajudou a tornar a experiência mais confortável para quem estava começando. “Tinha gente iniciante, pessoas de outras áreas… e estávamos cercadas por mulheres. Isso tornou o ambiente muito estimulante. Mesmo quando algo dava errado, existia apoio e incentivo para continuar tentando. E aí a gente começa a se enxergar como capaz”, completou.
Para Brenna Lyra, a experiência também ampliou a percepção sobre pertencimento dentro da área de tecnologia. “Quando você encontra pessoas que têm uma lente de realidade parecida com a sua, você se sente mais à vontade não só para participar, mas também para construir ambientes assim”, destacou.
Ela afirma que a participação no hackathon despertou ainda mais interesse em ocupar novos espaços dentro da tecnologia. “A área de TI ainda é majoritariamente masculina, então é muito importante perceber que existem mulheres abrindo espaço para quem está chegando agora. E isso marcou tanto a gente que saímos querendo promover iniciativas assim também, para alcançar cada vez mais mulheres”, finalizou.
Promovendo ambientes inclusivos e acolhedores

Para o Centro de Informática da UFPE (CIn – UFPE), instituição que organizou o evento, iniciativas como o Vibe Hack GRRRL são fundamentais para ampliar a participação feminina na área de tecnologia. De acordo com Kiev Santos de Gama, professor do CIn, estudos conduzidos no próprio Centro mostram que hackathons e eventos similares, apesar do potencial educacional e de networking, ainda enfrentam desafios importantes de inclusão.
“O Hack GRRL, idealizado em 2019 pelas então alunas do CIn Lavínia Paganini e Nathalia Paiva, surgiu como um movimento para criar justamente esses espaços mais inclusivos para mulheres na tecnologia”, explica o professor.
Ainda segundo Kiev, o uso de vibe coding, que é explorado na série Vibe Hack, contribui para reduzir barreiras de entrada, permitindo que pessoas com diferentes níveis de experiência participem ativamente da criação de soluções por meio de ferramentas de IA. “O Vibe Hack GRRRL representa um avanço importante ao criar um espaço acolhedor e inclusivo, onde mulheres podem desenvolver ideias, fortalecer a confiança e exercer protagonismo técnico e criativo”, destacou.
Para Kiev, iniciativas desse tipo ajudam a combinar inclusão e novas formas de desenvolvimento apoiadas por inteligência artificial, tornando a tecnologia mais acessível e diversa. “A ideia é continuar fortalecendo esse movimento por meio de novas edições do Vibe Hack e da integração dessas práticas em atividades de ensino, extensão e inovação”, finalizou.
Sobre o Vibe Hack
O Vibe Hack GRRRL faz parte da série de hackathons Vibe Hack, iniciativa criada pelo Centro de Informática da UFPE (CIn) com foco na exploração de ferramentas de inteligência artificial para prototipação rápida de ideias e aplicações. A primeira edição foi realizada em julho de 2025, seguida por uma edição internacional promovida na Itália, em janeiro deste ano. Já o Vibe Hack GRRRL surgiu como uma edição voltada à ampliação da participação feminina na tecnologia, incentivando a criação de soluções inovadoras em um ambiente colaborativo para mulheres nas áreas de STEM.

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.