Palestra magna revisitou os princípios que ergueram o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), que celebra 30 anos de história com o CESAR Beat

“A inovação não é um estado de perfeição, mas um ideal imperfeito, incompleto e impermanente”, disse Silvio Meira na palestra magna revisitou os princípios que ergueram o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), que celebra 30 anos de história com o CESAR Beat.
Meira defendeu que as instituições inovadoras precisam de uma “insatisfação institucionalizada”, uma arquitetura que incentive as pessoas a mudarem seu próprio estado continuamente e a se acostumarem com o erro.
Longe de apresentar uma história de sucessos lineares, Meira descreveu o CESAR como uma “casa de passagem”, onde o aprendizado contínuo e a aceitação do erro foram os pilares para transformar a capacidade de inovação de quem por lá passou.
“O negócio do CESAR é trazer futuros possíveis para o presente, criando o que chamamos de novos passados. Seja em computação quântica, biologia computacional, métodos de design, processos de aprendizagem, engenharia de software ou plataformas de robôs, o CESAR está aqui para resolver problemas”, disse, ao Jornal Digital, após a palestra.
Segundo o fundador, o segredo do sucesso da instituição residiu em “vender o que não se sabia fazer”, contando com mecanismos internos para aprender rapidamente no processo. “Se você vai executar o desconhecido, a chance de ter uma execução perfeita é zero. Você vai ter que tentar, errar e aprender”, afirmou Meira, destacando que essa postura permitiu ao centro criar áreas pioneiras no Brasil, como a de teste de software com método científico.
Quando imaginar o impossível vira estratégia

Um dos pontos altos da fala foi a explicação sobre o que Meira chama de “mentiras realizáveis”. Ele relembrou o momento em que afirmou ao então governador de Pernambuco que o Porto Digital teria 50 mil pessoas trabalhando até 2050 — um número que, na época (ano 2000), parecia impossível.
“A mentira é realizada quando a gente realiza. Se não realizar, é só uma mentira. Mas a alucinação era coletiva”, brincou, notando que hoje, com 24.500 colaboradores, o ecossistema está em uma curva exponencial que deve atingir a meta muito antes do prazo.
Essa capacidade de criar um futuro que ainda não existia foi o que permitiu ao CESAR ir além da computação, incorporando design, sociologia, jornalismo e antropologia em suas equipes para resolver problemas complexos.
Apesar da alta tecnologia, Silvio Meira enfatizou que o CESAR é, fundamentalmente, um “negócio de gente”. “A sustentabilidade da instituição depende de entender não apenas a tecnologia, mas as pessoas que a criam e as que a utilizam”.
O aprendizado como futuro

Olhando para frente, Meira destacou que o CESAR deve continuar sendo uma instituição de aprendizado. Ele explicou que a criação da CESAR School não foi um acaso, mas a formalização de um espírito que sempre existiu: a educação somada à oportunidade para criar esperança e realização.
Em um cenário agora desafiado pela Inteligência Artificial, o fundador alerta que a certeza é o caminho para o fracasso. Para ele, inovar exige continuar fazendo perguntas e manter a paixão pelos problemas, usando o método e o contexto para transformar a realidade. “Se você tem certeza que sabe o que está fazendo, é porque você está quebrando”, concluiu.
O CESAR Beat será realizado até o sábado (16). Você confere a programação completa clicando aqui.

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