Cerca de 28% das empresas de base tecnológica da capital pernambucana contam com ao menos uma mulher entre os fundadores, índice superior ao observado em ecossistemas internacionais comparáveis

Tech Woman 2024: Bairro do Recife sedia evento para 1.500 mulheres da tecnologia
Registro do evento Tech Woman,, no Bairro do Recife, em 2024

Um novo retrato do ecossistema de inovação do Recife revela um cenário acima da média em relação à presença feminina na liderança de startups. Segundo levantamento inédito, 28% das empresas de base tecnológica da capital pernambucana contam com ao menos uma mulher entre os fundadores — índice superior ao observado em ecossistemas internacionais comparáveis, cuja média é de 20%.

Os dados fazem parte do relatório “Avaliação do Ecossistema de Startups do Recife“, desenvolvido pelo Sebrae Pernambuco em parceria com a metodologia internacional do Startup Genome. O estudo também mostra que a maior parte dos fundadores está em uma faixa etária mais madura: 76% têm mais de 30 anos, e a média de idade dos empreendedores locais é de 39,1 anos, número próximo ao registrado em ecossistemas semelhantes ao redor do mundo (39,5 anos).

Experiência técnica e visão de negócios

O estudo aponta ainda um perfil de fundadores com forte bagagem profissional. Cerca de 92% das startups do Recife possuem ao menos um fundador com experiência técnica e estratégica, enquanto 74% contam com sócios com formação na área de negócios.

A experiência empreendedora prévia também aparece como um diferencial. Mais da metade das startups (52%) possui pelo menos um fundador que já criou uma empresa anteriormente — percentual próximo ao de ecossistemas internacionais comparáveis, que registram 55%.

Raízes locais fortalecem a comunidade

Outro aspecto destacado pelo levantamento é o forte vínculo dos empreendedores com a cidade. Segundo o estudo, 83% das startups surgiram em um raio de até 100 quilômetros da capital pernambucana, enquanto 91% dos fundadores escolhem permanecer no Recife, motivados principalmente por fatores culturais e familiares.

Os dados reforçam um alto nível de pertencimento e coesão da comunidade empreendedora local. O apoio entre fundadores também se destaca: em média, são 4,7 horas dedicadas ao suporte entre pares, índice superior ao observado em ecossistemas semelhantes, como os de Waterloo e Quebec, no Canadá.

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Eventos voltados à inovação, como o REC’n’Play e o Mangue.bit, também aparecem como elementos que ajudam a ampliar a conexão entre empreendedores e a visibilidade do ecossistema.

Capital humano impulsiona o setor

O estudo também chama atenção para a formação de talentos. Dados do Censo da Educação Superior mostram que o Recife lidera o ranking nacional de estudantes de Tecnologia da Informação por habitante, com 717,8 alunos a cada 100 mil habitantes — cerca de 47% acima da segunda colocada, Brasília, que registra 488,7.

Esse cenário é sustentado pela presença de instituições de ensino reconhecidas, como a Universidade Federal de Pernambuco e a Cesar School, além de iniciativas voltadas à formação de novos profissionais, a exemplo do Embarque Digital. O programa é desenvolvido pelo Porto Digital, considerado o principal distrito de inovação da América Latina.

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