Painéis reuniram mestres do artesanato, empreendedores e representantes de instituições para discutir como tecnologia, criatividade e conexões podem ampliar mercados e fortalecer a inovação no Agreste

Painel “Do ateliê às feiras: como o artesanato tem se reinventado”, mediado pela jornalista Beatriz Castro, no segundo dia de programação do Rolê REC’n’Play 2026 (Crédito: PC Pereira/Porto Digital)

A tradição do artesanato em barro, que transformou o Alto do Moura e a Feira de Caruaru em referências da cultura popular nordestina, atravessa uma nova fase marcada pela inovação e pela conexão digital. Os caminhos para preservar essa tradição, ampliar mercados e aproximar o artesanato de novos públicos estiveram no centro do painel “Do ateliê às feiras: como o artesanato tem se reinventado”, mediado pela jornalista Beatriz Castro, no segundo dia de programação do Rolê REC’n’Play 2026.

O encontro reuniu representantes da segunda geração de famílias que ajudaram a construir a história da arte popular no Agreste: os mestres Ademilson Eudócio, filho do Mestre Eudócio, e Marliette Rodrigues, filha de Zé Caboclo, além de Camila Bandeira, diretora de Economia Criativa da Adepe e diretora-executiva da Fenearte.

Jornalista Beatriz Castro mediou o painel “Do ateliê às feiras: como o artesanato tem se reinventado”, no Rolê REC’n’PLay (Crédito: PC Pereira/Porto Digital)

Durante o debate, os mestres compartilharam as transformações na produção e na comercialização do artesanato ao longo das últimas décadas. Ademilson Eudócio relembrou a rotina do pai e a relação histórica com a Feira de Caruaru.

“Na infância, lembro de meu pai produzindo peças durante a semana para vender na feira ao lado de Mestre Vitalino e Zé Caboclo. Hoje, a realidade é outra; a tecnologia nos inseriu em um contexto global. Alcançamos clientes em todo o Brasil e no exterior sem a necessidade de sair de casa”, destacou. O mestre também já prepara a terceira geração da família para dar continuidade ao ofício.

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A Mestra Marliette Rodrigues, que começou a moldar o barro aos seis anos, inicialmente como brincadeira, e assumiu a oficina da família na década de 1970, também acompanhou de perto essa transformação. Segundo ela, o crescimento da demanda alterou a própria dinâmica de relacionamento com os compradores. “A demanda cresceu tanto que passamos a atender o público diretamente no Alto do Moura, em vez da feira, para conseguir suprir a produção”, pontuou.

Se as plataformas digitais ampliaram o alcance dos artesãos, os espaços físicos continuam fundamentais para a circulação e valorização da produção cultural. Para Camila Bandeira, o digital e as grandes feiras não competem entre si, mas se complementam na preservação e na projeção da identidade cultural. “As feiras sempre foram a base da história do artesanato e permanecem fundamentais. Elas funcionam como vitrines vitais, desde a tradicional Feira de Caruaru até grandes eventos como a Fenearte”, afirmou.

Conexões e talentos impulsionam ecossistema de inovação no Agreste

Painel “Empreender no Agreste: Construindo um Ecossistema de Inovação”, no Rolê REC’n’Play Caruaru 2026

O potencial empreendedor de Caruaru e os caminhos para fortalecer o ecossistema de inovação no interior de Pernambuco também estiveram no centro da mesa “Empreender no Agreste: Construindo um Ecossistema de Inovação”, realizada nesta quinta-feira (13), durante o primeiro dia do Rolê REC’n’Play 2026.

Mediada por Heraldo Ourem, diretor de Inovação e Competitividade Empresarial do Porto Digital, e Mauricélia Montenegro, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, a conversa reuniu Nara Lyra, sócia da NAVIT, e Josiana Ferreira, diretora Técnica do Sebrae/PE.

Natural de Caruaru, Nara Lyra deixou a cidade ainda jovem para estudar no Recife, onde atuou no CESAR. Em 2009, retornou ao município, mas encontrou um setor de tecnologia ainda pequeno e acabou se afastando da área. Anos depois, diante do crescimento do segmento na cidade, voltou a se conectar com o setor e fundou a NAVIT, empresa de tecnologia e inovação sediada em Caruaru, com atuação em desenvolvimento de software, consultoria em TI e inteligência de dados.

Ao falar sobre os desafios de empreender, Nara destacou a importância das conexões para o fortalecimento dos negócios e do próprio ecossistema. “É como diz o ditado: quando a maré sobe para um, sobe para todos”, afirmou, ressaltando que o desenvolvimento do ambiente de inovação beneficia diferentes atores.

Heraldo Oruem no painel “Empreender no Agreste: Construindo um Ecossistema de Inovação”, no Rolê REC’n’Play Caruaru 2026 (Crédito: PC Pereira/Porto Digital)

Para a empreendedora, Caruaru já não deve ser reconhecida apenas pelas tradições culturais e econômicas que marcaram sua história, como o São João e o artesanato, mas também como um território de tecnologia e inovação.

Josiana Ferreira destacou o papel do Sebrae/PE na construção desse ambiente. Segundo ela, a instituição tem como pilares “servir e apoiar” e amplia sua atuação por meio de parcerias. Como exemplo, citou o próprio Rolê REC’n’Play, que leva informação à população e, ao mesmo tempo, cria oportunidades de conexão entre pessoas, instituições e negócios.

Mauricélia Montenegro também ressaltou a transformação pela qual Caruaru passou nos últimos anos. Segundo a secretária, o município sempre teve uma forte vocação empreendedora, mas, no passado, muitos talentos deixavam a região para estudar e não retornavam.

A chegada de novas instituições de ensino e a estruturação do polo educacional contribuíram para mudar esse cenário. Com mais oportunidades de formação e desenvolvimento profissional, talentos passaram a permanecer na cidade e a transformar conhecimento em novos negócios, fortalecendo o ecossistema de inovação local.

As discussões realizadas no Rolê REC’n’Play reforçaram a importância da articulação entre empresas, instituições de ensino, poder público e organizações de apoio para transformar vocações locais em oportunidades de desenvolvimento. Em Caruaru, tradição e inovação passam a compartilhar o mesmo território, conectando saberes construídos ao longo de gerações a novas tecnologias, negócios e possibilidades para o futuro.

Rolê REC’n’PLay continua nesta sexta-feira (14)

A programação continua nesta sexta-feira (14), com uma agenda que reúne inovação, criatividade, tecnologia e cultura ao longo do dia. Entre os destaques estão a celebração dos 35 anos da TV Asa Branca, a experiência “Roblox: Crie, Jogue e Imagine!”, discussões sobre inteligência artificial, empreendedorismo e o potencial do Agreste, além de atividades que aproximam tecnologia, economia criativa e cultura popular. A programação segue distribuída pelos diferentes espaços do evento, com atividades a partir das 10h.

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