No fórum Conexões Produtivas, Pierre Lucena alertou para os impactos da Reforma Tributárias no modelo de incentivos, enquanto o ministro Márcio Fernando Elias Rosa destacou exportações e segurança jurídica

Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, em evento do MDIC no Recife (Crédito: Pedro Pereira/Porto Digital)

Os desafios para a competitividade e a inserção internacional de Pernambuco estiveram no centro do debate realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com a ABDI e a ApexBrasil, durante o fórum Conexões Produtivas, na auditório da FIEPE, no Recife.

Em painel, o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, defendeu uma revisão das estratégias de desenvolvimento regional diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária, com maior atenção aos serviços de alto valor agregado e à formação de capital humano.

Ele chamou atenção para o fim dos incentivos fiscais como instrumento tradicional de atração de empresas. Para ele, o novo cenário exige que estados e municípios fortaleçam infraestrutura, qualificação profissional e ecossistemas de inovação.

Armando Monteiro Bisneto, presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, e Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, em evento do MDIC no Recife (Crédito: Pedro Pereira/Porto Digital)

“A reforma tributária veio para equalizar e resolver uma série de problemas burocráticos que você tinha, mas a gente vai enfrentar um desafio de desenvolvimento regional que talvez não enfrentasse antes, porque estávamos acostumados a trabalhar com incentivos fiscais que não teremos mais”, afirmou.

Na avaliação do presidente do Porto Digital, Pernambuco tem uma oportunidade de ampliar sua participação na economia de serviços, especialmente em áreas de tecnologia e inovação. Segundo ele, o setor de serviços representa 72% da economia pernambucana, enquanto os serviços avançados demandam profissionais altamente qualificados e geram empregos de maior remuneração.

“Esse tipo de serviço que chega, de alto valor agregado, precisa de capital humano de alta intensidade. O Nordeste tem condições de ser um grande polo exportador de serviço”, destacou.

Lucena também defendeu uma aproximação maior entre tecnologia e as vocações econômicas do estado. A estratégia passa pela interiorização da inovação, conectando o ecossistema tecnológico a cadeias produtivas como o polo têxtil de Caruaru e a fruticultura de Petrolina. “A gente precisa enxergar que a indústria e o setor de serviço precisam andar absolutamente colados para gerar inovação”, disse.

O painel também contou com a participação de Armando Monteiro Bisneto, representando o Complexo Industrial Portuário de Suape.

Exportação e segurança para investir

Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, ministro Márcio Fernando Elias Rosa e Armando Monteiro Bisneto em evento do MDIC no Recife (Crédito: Pedro Pereira/Porto Digital)

Em resposta aos desafios apresentados pelo setor produtivo, o ministro Márcio Fernando Elias Rosa destacou o potencial de Pernambuco para ampliar sua presença no mercado internacional. Segundo ele, o estado exporta atualmente cerca de US$ 2,5 bilhões, mas tem capacidade para alcançar resultados significativamente maiores.

“Nós não queremos que Pernambuco exporte US$ 2,5 bilhões, porque o potencial de Pernambuco é infinitamente maior. Se for preciso aproximar para que estejamos de mãos dadas com o setor empresarial, fazendo rodada de negócios, não há dúvida, nós faremos isso”, afirmou.

O ministro também apontou três condições consideradas fundamentais para a atração de investimentos: segurança jurídica, previsibilidade econômica e estabilidade política. Na avaliação de Elias Rosa, a Reforma Tributária pode contribuir para esse ambiente ao reduzir a carga sobre investimentos e exportações.

Para Elias Rosa, fortalecer a indústria brasileira também significa ampliar a capacidade de gerar empregos qualificados e reduzir a dependência de produtos importados. “A nossa indústria voltou a crescer. No ano passado, tivemos um crescimento da produção industrial que nos coloca na sexta posição no mundo”, afirmou.

O encontro reforçou a importância da articulação entre governo, setor produtivo e ecossistemas de inovação para ampliar a competitividade de Pernambuco, combinando as vocações industriais do estado com o potencial de crescimento da economia digital e dos serviços avançados.

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