Encontros entre grandes instituições e empreendedores reforçaram a construção de novas conexões e oportunidades para o desenvolvimento de soluções para o setor, no NERD

O autocuidado como dimensão da saúde, a integração de dados para transformar a assistência e os desafios de inovação no Sistema Único de Saúde (SUS) estiveram entre os principais temas do segundo e último dia do REC’n’Play Capítulo Saúde. Realizada no NERD – Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital, no Bairro do Recife, a programação desta sexta-feira (28) reforçou a proposta de aproximar saúde, tecnologia e negócios, ampliando o debate sobre como a inovação pode contribuir para diferentes dimensões do setor.
Um dos destaques do dia foi a palestra da jornalista especializada em saúde Mariana Ferrão. Em “Essência: Patrimônio da Humanidade”, ela compartilhou sua trajetória de reinvenção após um período de depressão e propôs uma reflexão sobre a relação entre tecnologia, saúde e aquilo que nos constitui como seres humanos.
“Num mundo cada vez mais tecnológico, é fundamental a gente ter consciência daquilo que nos torna humanos, para a gente ter cada vez mais saúde, tratar a nossa essência como um patrimônio”, afirmou Mariana. Para ela, cuidar da essência significa preservar aquilo que é vital e reconhecer, em meio às transformações internas e externas, o que permanece como parte fundamental de cada indivíduo.

Dados conectados para transformar a saúde
A tecnologia voltou ao centro das discussões no painel “O futuro nasce aqui: IA, interoperabilidade e o salto de saúde no Brasil”, que reuniu Paulo Magnus, CEO da MV; Samuel Gomes, superintendente do Martiniano Fernandes; Anaterra Oliveira, CIO da DASA e integrante do Board do NERD; e Shenandoan Daur, diretor executivo do Real Hospital Português.
O debate abordou os desafios e as oportunidades relacionados à integração de dados e à interoperabilidade entre instituições e sistemas de saúde. A conexão dessas informações é apontada como um dos caminhos para ampliar a capacidade de diagnóstico, gestão e desenvolvimento de novas soluções para o setor.
“Quando a gente fala de todos os desafios que a gente tem de tecnologia, de integração de dados, de interoperabilidade, ajuda muito a gente a pensar em novas estratégias. Amplia horizontes também de visão, porque a gente vê o que outras prefeituras ou outros sistemas de saúde, tanto do público quanto do privado, estão fazendo pela sociedade para conseguir avançar de fato com tecnologia que eleve o nosso padrão de saúde e de informação para os nossos pacientes, para o cidadão”, afirmou Anaterra.

Inovação em escala para o SUS
A saúde pública brasileira também ocupou espaço central na programação, com debates sobre pesquisa, desenvolvimento e incorporação de novas soluções ao SUS. Entre os painéis estiveram “Do laboratório ao SUS: quem constrói o futuro da inovação em saúde no Brasil?”, “Como desenvolver e incorporar soluções inovadoras para o câncer gástrico no SUS?” e “Como desenvolver soluções tecnológicas para o SUS?”.
Neste último debate, a complexidade e a dimensão do sistema público brasileiro foram colocadas como desafios para a construção de soluções capazes de operar em larga escala. A discussão também destacou a necessidade de estabelecer padrões que permitam conectar diferentes sistemas e bases de dados.
“A gente não é atendido em uma única unidade, em um único estabelecimento de saúde. Não temos nossa saúde resolvida por um único prestador. Como é que a gente vai ter a saúde inteira resolvida por um único sistema? É impossível. É preciso aceitar que o SUS é diverso, os sistemas serão diversos, os dados serão diversos. É preciso padrão para fazer conectá-los”, afirmou Marília Eutímia Oliveira, gerente de Informações Estratégicas, Monitoramento e Avaliação da Secretaria de Saúde de Pernambuco.
Um novo formato para aproximar o mercado da inovação

Primeiro capítulo temático do REC’n’Play, o Capítulo Saúde encerrou sua primeira edição reforçando a estratégia de aproximar o ecossistema de inovação de setores estratégicos da economia. Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, a escolha da saúde para inaugurar o formato está relacionada à relevância do setor para a economia do Recife e à possibilidade de ampliar conexões entre empresas, instituições e startups.
“É justamente com o setor mais forte da cidade, dos municípios, de serviços, que é o setor de saúde. E a gente está fazendo esse evento com o Real Português e o Sebrae Pernambuco, fazendo com que a gente traga essas discussões importantes aqui para a cidade para fortalecer o crescimento da área de tecnologia”, destacou.
Segundo Pierre, a expectativa é ampliar a iniciativa nas próximas edições. “No próximo ano, a gente pretende fazer muito mais capítulos como esse, porque eles representam essa aproximação real entre a economia tradicional e o setor de tecnologia, que é muito pujante aqui na cidade do Recife.”
Realizado pelo Porto Digital em parceria com o Real Hospital Português e o Sebrae Pernambuco, o REC’n’Play Capítulo Saúde também contou com rodadas de negócios entre grandes empresas e startups, além da apresentação de desafios reais de inovação para que healthtechs pudessem apresentar soluções para demandas do setor.

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