Levantamento da Capgemini Research Institute com 2.750 líderes em 11 países mostra avanço das competências tecnológicas na gestão e aponta lacuna entre as habilidades exigidas e as dominadas pelos executivos

A inteligência artificial está ganhando espaço entre as habilidades esperadas de quem ocupa posições de liderança. É o que aponta uma pesquisa do Capgemini Research Institute, segundo a qual 74% dos líderes consideram conhecimento em IA importante para avançar a uma posição de liderança em suas organizações. Ao mesmo tempo, apenas 46% apontam o uso de IA e automação como uma de suas principais competências.
Nesse cenário, o líder do futuro não necessariamente precisa ser um especialista em desenvolvimento de software. O desafio apontado pelo levantamento é outro: compreender suficientemente as tecnologias para avaliar possibilidades, fazer perguntas, tomar decisões e incorporá-las à estratégia dos negócios. O estudo cita, nesse sentido, a necessidade de que líderes tenham uma compreensão prática de como a tecnologia funciona, mesmo sem necessariamente saber programar.
O levantamento Gender and leadership: Navigating bias, opportunity, and change, realizado em agosto de 2025, ouviu 2.750 líderes — entre gestores seniores e executivos — em 11 países e nove setores. A pesquisa analisou as mudanças no perfil da liderança e as habilidades consideradas importantes para o presente e o futuro das organizações.
Os dados apontam para uma transformação no conjunto de competências valorizadas pelas empresas. Além da familiaridade com tecnologias emergentes, agilidade, confiança e inteligência emocional aparecem entre as capacidades consideradas relevantes para os líderes diante de um ambiente de negócios marcado por mudanças tecnológicas e maior volatilidade.
Tecnologia entra no perfil do líder
Embora a IA seja apontada como uma competência importante para a ascensão profissional, o domínio técnico ainda apresenta uma lacuna. Segundo a pesquisa, 54% dos líderes consideram análise de dados uma de suas principais forças, enquanto 48% citam inovação e antecipação de tendências. No caso de IA e automação, o percentual cai para 46%.
A distância também aparece em habilidades mais específicas relacionadas à inteligência artificial generativa. Levantamento anterior do próprio Capgemini Research Institute, citado no estudo, aponta que 38% dos líderes e gestores se sentem confiantes em engenharia de prompts, enquanto 33% afirmam conseguir articular suas necessidades para um sistema de IA generativa. Apenas 12% dos funcionários dizem que seus líderes ou gestores possuem habilidades de gestão de dados.
Liderança mais adaptável

Uma em cada três pessoas entrevistadas afirma que sua organização estimula a liderança transformacional, caracterizada pela capacidade de inspirar mudanças, impulsionar inovação e construir uma cultura preparada para o futuro.
Nesse modelo, características como visão de futuro, capacidade de adaptação, resiliência, empatia, inteligência emocional e construção de ambientes de confiança ganham importância. A pesquisa aponta que, diante da aceleração das mudanças tecnológicas e da volatilidade dos negócios, os líderes precisam combinar competências técnicas e comportamentais.
Entre as habilidades apontadas como importantes para a liderança atual e futura estão ainda conhecimento sobre o setor, transparência e autenticidade, criação de uma cultura de confiança e capacidade de liderar equipes de diferentes gerações. Já entre as competências que ganham destaque para o futuro estão IA e automação, análise de dados, inovação, agilidade, confiança e inteligência emocional.
Formação tecnológica como parte da liderança
Para o estudo, a resposta à transformação não está apenas na contratação de profissionais com conhecimento técnico, mas na incorporação dessas competências ao desenvolvimento das próprias lideranças.
Entre as recomendações apresentadas estão ampliar o acesso a treinamentos de IA, dados e tecnologias emergentes, integrar essas ferramentas às atividades cotidianas e criar programas de qualificação que permitam não apenas aprender novas habilidades, mas aplicá-las na rotina profissional.
A pesquisa também defende que o conhecimento tecnológico seja democratizado dentro das organizações. A ideia é que a fluência em IA e dados deixe de ser uma atribuição exclusiva das áreas especializadas e passe a fazer parte da formação de profissionais que ocupam ou pretendem ocupar posições de liderança.
A pesquisa conclui que organizações que pretendem preparar suas lideranças para os próximos anos precisarão combinar fluência tecnológica, capacidade de adaptação e competências humanas. Em um mercado no qual a IA avança sobre diferentes áreas das empresas, a formação de quem lidera também passa a fazer parte da transformação digital.

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