Sétima edição reconheceu a Capgemini como a empresa que mais contratou no período e destacou os resultados do programa na inclusão social e na transformação socioeconômica do Recife

O Porto Digital realizou a sétima edição do Selo RH de Impacto, iniciativa que reconhece as empresas parceiras que mais contrataram estudantes e egressos do Embarque Digital. Entre abril e setembro de 2026, foram homologadas 113 contratações em 38 empresas, reforçando a conexão entre formação superior em tecnologia, empregabilidade e inclusão social no Recife.

Na categoria Destaque, destinada a empresas de maior porte que realizaram duas ou mais contratações, foram reconhecidas Accenture, Capgemini, Deloitte, ESMG (Avantia e Wesafer), Extreme Group, EY, Grupo Moura, Grupo RAS, KPMG, MV, NTT DATA, Porto Digital e Safetec.

Já a categoria Impulso contemplou empresas de menor porte ou recém-chegadas ao ecossistema que contrataram profissionais por meio da parceria com a área de Empregabilidade do Porto Digital. Foram premiadas Bruno Vanderlei Advogados Associados, FlowUp, Kiosk Brands e Sabatech.

O principal reconhecimento da edição ficou com a multinacional de consultoria Capgemini, que registou o maior volume de contratações no período.

O Embarque Digital é uma iniciativa da Prefeitura do Recife em parceria com o Porto Digital que oferece bolsas integrais de ensino superior em tecnologia a jovens oriundos da rede pública de ensino. O programa aproxima esses estudantes das oportunidades profissionais do setor, contribuindo para ampliar o acesso ao mercado de trabalho e promover a mobilidade social.

Empregabilidade e transformação socioeconômica no Recife

Dados apresentados por Luana Alves, analista de Empregabilidade do Porto Digital, durante a cerimônia demonstram que os resultados do Embarque Digital contribuem para ampliar a diversidade no setor de tecnologia e transformar a realidade econômica das famílias.

Das 113 contratações homologadas nesta edição, 46 foram de mulheres, o equivalente a cerca de 41% do total. Pessoas pretas e pardas representaram 55,7% das contratações, com 63 profissionais.

“O levantamento também evidencia o impacto do programa sobre jovens de famílias de menor rendimento. Antes da contratação, 15% dos estudantes estavam inseridos em famílias com rendimento de até um salário mínimo, enquanto 62,5% viviam em famílias com rendimento entre um e três salários mínimos”, disse Luana.

Após a entrada no mercado de trabalho, 60% dos contratados passaram a receber salários entre um e três salários mínimos. O dado considera que 40% dos profissionais ingressaram por meio de programas de estágio e aprendizagem.

O presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, destacou a importância estratégica da iniciativa para o desenvolvimento da capital pernambucana.

“O Embarque Digital é a política pública mais importante que a gente fez aqui nos últimos 25 anos de Porto Digital, sem nenhuma sombra de dúvida”, afirmou.

Lucena também defendeu o investimento em educação e no setor de serviços avançados como caminhos para ampliar as oportunidades económicas no Nordeste, com destaque para a inclusão de jovens das periferias no mercado de trabalho tecnológico.

“A única saída do Nordeste é apostar no setor de serviço avançado. A gente precisa apostar na educação, porque essa é a única forma que vai transformar as pessoas numa escala grande. Temos aqui a periferia do Recife ocupando as vagas de trabalho que de alguma forma sempre foram ocupadas por pessoas da classe média”, declarou.

Capgemini é o destaque da edição

A Capgemini recebeu o principal reconhecimento da sétima edição do Selo RH de Impacto pelo volume de contratações realizadas no período. A premiação coincidiu com a celebração de um ano do início oficial das operações da empresa no Recife, onde já reúne mais de 500 colaboradores e tem a meta de encerrar 2026 com 600 profissionais.

Ao receber o reconhecimento, o representante da multinacional, Josué Nogueira, ressaltou que a disponibilidade e a qualidade dos talentos locais foram determinantes para a instalação da operação na capital pernambucana.

“A gente não veio atrás de incentivo fiscal… O grande business case aqui de Recife de fato foram as pessoas. Receber isso aqui materializa tudo aquilo que a gente discutiu lá atrás. No final das contas, nessa coopetição, quem ganha é Recife”, afirmou.

Outras empresas também apresentaram resultados que demonstram a continuidade das contratações e a consolidação das parcerias com o programa. A Deloitte já acumula mais de 100 efetivações de profissionais oriundos do Embarque Digital, com taxa de retenção superior a 90%. A MV, por sua vez, celebrou a contratação de oito profissionais nesta edição.

O Grupo Moura também destacou a importância da aproximação entre educação e mercado de trabalho, ressaltando como essa conexão contribui para transformar perspectivas profissionais e concretizar projetos de vida.

Das salas de aula ao mercado de trabalho

A cerimônia também deu espaço às experiências de estudantes e gestores que acompanham os resultados do Embarque Digital no dia a dia. Entre os depoimentos, esteve o de Thayza Vitoria, moradora de Santo Amaro, no Recife, que conseguiu uma oportunidade profissional em menos de seis meses após a edição anterior do evento.

“Sou a primeira mulher da família a cursar o ensino superior na área de tecnologia. Também sou de bairro de periferia, sou de Santo Amaro. Em relação ao Embarque, eu só tenho a agradecer por tudo”, relatou.

No encerramento da premiação, o gerente de Educação do Porto Digital, Rodrigo Pereira, apresentou outros avanços das iniciativas de formação profissional do ecossistema. Entre eles, destacou o lançamento do Protec, programa desenvolvido em parceria com a Prefeitura do Recife para a formação técnica em Cibersegurança e Banco de Dados, e os resultados das Academias de transição de carreira em tecnologias como SAP e ServiceNow, que alcançaram 92% de empregabilidade.

Pereira também defendeu o envolvimento das empresas na formação dos estudantes ao longo da graduação, de modo a aproximar o ensino das necessidades do mercado e preparar os profissionais para as transformações tecnológicas.

Ao abordar o avanço da inteligência artificial, o gerente reforçou que as pessoas permanecem no centro desse processo.

“Nós não vamos chegar nesse momento de contratar agentes inteligentes. Nós vamos sempre falar de pessoas aqui, porque seja a transformação que ocorrer na tecnologia, vai ter sempre gente por trás conduzindo”, concluiu.

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