Os Comitês de Curadoria do NERD – Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital conectam 55 lideranças para impulsionar a inovação, o empreendedorismo e novos negócios no ecossistema do Porto Digital

Encontro de Curadores do NERD reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir caminhos e oportunidades para o ecossistema (Crédito: Peterson Mayrinck/Porto Digital)

Por Fellipe Sabat, Emídia Felipe e Leonardo Calheiros*

Quem conhece a história do Porto Digital sabe que o ecossistema é feito de muitos protagonistas. Mesmo antes de sermos institucionalizados, 26 anos atrás, várias pessoas que queriam ver a tecnologia transformar nossa realidade atuaram — sobretudo coletivamente — para que isso acontecesse. Agora, por meio dos Comitês de Curadoria do NERD, um grupo de 55 pessoas que são referência estão ativamente conectadas e impactando diretamente a forma como estamos criando novos futuros possíveis. 

Nossos comitês surgiram a partir de necessidades que coletamos entre Empresas Embarcadas1 e na nossa própria estratégia: era preciso dar mais visibilidade direta às demandas do ecossistema, assim como aproveitar melhor a riqueza empreendedora que ele já oferece. Ao mesmo tempo, criamos o Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital (NERD), cujo um dos maiores desafios é criar uma nova frente de ambiência para criação e impulsionamento de novos negócios. 

Foi nesse contexto que criamos os Comitês de Curadoria do NERD, que vieram para transformar a inteligência coletiva em novas oportunidades. O que chamamos aqui de inteligência coletiva, Silvio Meira também chama de “inteligência social”, como está descrito em seu artigo “Três grandes rupturas, agora”2:

“A inteligência social permite a criação de conhecimento compartilhado, a transmissão de saberes através das gerações e a colaboração em tarefas complexas. Ela é o vetor por trás de avanços científicos, artísticos e tecnológicos, pois depende da cooperação entre indivíduos para gerar soluções inovadoras para problemas complexos.”

Entre abril e setembro de 2026, mobilizamos 55 pessoas que já tiveram entregas relevantes e são engajadas com o fortalecimento coletivo da nossa rede. São representantes do mercado, da academia e de governos, distribuídos em 10 comitês, nas temáticas de Capital, Cibersegurança, ESG, Finanças, Futuro do Trabalho, Indústria, Inteligência Artificial, Saúde, Turismo e Varejo. E ainda temos mais três a caminho: Jurídico, Governo e Energia.

Além das contribuições diretas a novas iniciativas de empreendedorismo, em curadorias de eventos e em conexões com novos desafios do mercado nordestino e brasileiro, nossos curadores nos trouxeram também cinco leituras estratégicas para conduzirmos as próximas ações do NERD:

  1. Quem viveu a dor empreende melhor. As soluções de maior impacto nascem de (ou apoiadas por) profissionais maduros, com 40 anos ou mais, que enfrentaram o problema dentro da corporação antes de tentar resolvê-lo de fora.
  2. Eventos são meio, não fim. Servem para sensibilização, atração e origem de relacionamentos que precisam desaguar em programas. O valor está no que começa no evento, não no que acontece nele.
  3. Setores “não-tech” exigem linguagem própria.3 As indústrias querem canais legítimos e inovação pragmática, partindo de problemas concretos e não da simples oferta de ferramentas.
  4. IA com pragmatismo, contra o hype. O impacto da inteligência artificial está em proteger margens e resolver dores fundamentais das empresas, com governança que acelera a inovação e comunicação sem catastrofismo.
  5. Dados são infraestrutura crítica. Conectar com intenção, a startup certa ao investidor, à tese ou ao cliente certo, depende de bases integradas que o ecossistema ainda não consolidou.

Descobrindo o caminho ao caminhar

Encontro de Curadores do NERD reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir caminhos e oportunidades para o ecossistema (Crédito: Peterson Mayrinck/Porto Digital)

Conselhos consultivos e câmaras temáticas existem em muitas instituições, não é algo novo, nem sequer é algo deste século. A inovação é trazer, pela primeira vez, essa força para dentro da orquestração de um ecossistema do porte do Porto Digital e gerar, de fato, uma inteligência coletiva e ativa, sem morrer em atas. Ou seja, não basta juntar essas pessoas e dar-lhes a ambiência e os canais de cocriação e colaboração, é preciso construir as pontes entre as conversas e fazer com que isso também se multiplique em ações. 

Do lado do Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD), responsável por conduzir os comitês, entre os maiores desafios está fazer o aspecto ecossistêmico emergir das conversas ao mesmo tempo em que mantemos o dia a dia desses grupos bem apoiados.

Entre os aprendizados inicialmente aplicados para a criação dos comitês, um benchmarking se destaca: a comunidade Conexão Saúde. Mantida pelo NGPD e por líderes da comunidade, está ativa há quase dois ano. Nesse período, a Conexão Saúde conseguiu mobilizar mais de 200 representantes do polo médico, startups e instituições. Além desse ambiente virtual, as conversas viraram encontros entre cerca de 480 pessoas em encontros da comunidade (meetups). 

Com a evolução da Conexão Saúde e a criação dos Comitês de Curadoria NERD, as lideranças da comunidade tornaram-se membros do Comitê de Saúde, que foi indispensável para a mobilização e a curadoria do REC’n’Play Capítulo Saúde, realizado nos dias 27 e 28 de agosto. Foram quase 2.000 participantes ao longo do evento; 70% do público veio de fora do ecossistema; 65 corporações novas se interessaram pelo NERD; e o primeiro lugar em procura foram as oficinas práticas de inteligência artificial.

O que isso muda na prática

Fachada do NERD, plataforma de negócios do Porto Digital (Crédito PC Pereira Porto Digital)

Organizar a inteligência coletiva é uma das seis coisas que o NERD precisa fazer acontecer, ao lado de aproximar universidade e empresa, transformar problemas em oportunidades, levar startups a clientes reais, ajudar empresas em tração a vender e fazer empresas maduras devolverem conhecimento ao ecossistema. As seis se sustentam na mesma matéria-prima: amplificar o que o ecossistema já sabe.

Por isso o conhecimento das curadorias entra como camada da plataforma que está sendo construída, aquela que estrutura e dá memória ao que os comitês geram. Registro que não vira sistema volta a ser corredor.

Isso muda também o que medimos. Eventos realizados, taxa de ocupação e número de programas dizem pouco. Empresas conectadas a clientes, problemas reais trabalhados e conhecimento circulando dizem bastante; são conexões efetivas, que se traduzem em talentos formados, parcerias criados e negócios gerados.

“Os próximos 25 anos do Porto Digital começam agora”, afirmou Pierre Lucena ao apresentar a ambição de dobrar o tamanho do ecossistema e torná-lo aquele que melhor forma lideranças para transformar problemas complexos em negócios na América Latina. Começar de novo, depois de 26 anos, exige uma missão que os Comitês de Curadoria do NERD estão cada vez mais aptos a cumprir: escutar com método e transformar escuta em estratégia e ação. Os comitês existem para isso, e seguem abertos a quem tem o que contribuir.

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Fellipe Sabat é head do NERD; Emídia Felipe é gestora responsável pela gestão dos Comitês de Curadoria do NERD, conduzidos junto com Leonardo Calheiros. Os três autores fazem parte do Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD).

  1. Empresa Embarcada no Porto Digital é uma empresa que mantém presença efetiva no Distrito de Inovação do Recife e em hubs do Núcleo de Gestão do Porto Digital e cuja atividade-fim contribui, de forma direta e relevante, para o fortalecimento dos pilares estratégicos do ecossistema: tecnologia, empreendedorismo, inovação, economia criativa e capital humano. ↩︎
  2. https://silvio.meira.com/tres-grandes-rupturas-agora/ ↩︎
  3. Setores econômicos que não têm tecnologia como seu principal produto ↩︎

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