Fundadora e sócio da Pajubá Tech, Luana Barbosa e João Apuã
Fundadora e sócio da Pajubá Tech, Luana Barbosa e João Apuã (Foto: Divulgação)

A Pajubá Tech, startup que passou pelo programa de pré-incubação do Porto Digital, foi premiada na categoria municipal do Prêmio Nacional Xica Manicongo. A iniciativa do Ministério da Igualdade Racial, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), reconhece projetos voltados à reparação histórica de mulheres trans e travestis negras por meio de investimento financeiro. O prêmio chega a tempo de celebrar o Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado nesta quinta-feira (29).

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Fundada pela desenvolvedora Luana Barbosa, a Pajubá Tech é uma startup de impacto social criada na comunidade do Ibura, Zona Sul do Recife, com o objetivo de desenvolver e aplicar soluções inovadoras para capacitar profissionalmente e fortalecer a comunidade LGBTQIAPN+, com ênfase na representatividade trans o ecossistema de tecnologia. 

Prêmio Xica Manicongo

O Prêmio Xica Manicongo chega para reforçar o trabalho desenvolvido pela Pajubá Tech. Além da premiação em dinheiro concedida pelo Governo Federal, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o reconhecimento tem forte valor simbólico para a startup.

Segundo o sócio da empresa, João Apuã, iniciar o ano com a premiação representa um impulso fundamental para a continuidade dos projetos. “Foi como renovar as forças e ouvir alguém nos dizer ‘estamos vendo o seu trabalho’. Receber R$ 13.825 para dar continuidade às nossas ações é extremamente valioso, especialmente sendo pessoas trans e travestis contribuindo com o desenvolvimento econômico do país”, destaca.

O edital contou com um investimento de mais de R$ 700 mil e contemplou 16 organizações sociais lideradas por mulheres travestis e trans negras, que receberão a premiação de acordo com cada categoria submetida no certame. 

Reconhecimento e investimento

A Pajubá Tech já ultrapassou fronteiras locais e vem conquistando reconhecimento internacional, demonstrando que iniciativas nascidas nas periferias também têm potencial para influenciar o cenário global de tecnologia e inclusão.

Para Luana, a trajetória da organização é marcada por “reconhecimentos estratégicos que impulsionaram nossa maturidade global”, com destaque para a participação na imersão no Vale do Silício, nos Estados Unidos, por meio do programa Do Silêncio ao Silício. “Integrar a conferência Brazil at Silicon Valley, ainda em estágio inicial, foi um marco fundamental. A interlocução com investidores e a conexão com o ecossistema brasileiro na Califórnia foram decisivas para alinhar nosso impacto social a um modelo de negócio rentável e escalável internacionalmente”, afirma.

Pajubá Tech marcou presença em imersão nos EUA (Foto: Divulgação)
Pajubá Tech marcou presença em imersão nos EUA (Foto: Divulgação)

“Esse posicionamento estratégico já gera resultados concretos. Iniciamos o ano com um aporte de 10.000 dólares de um financiador internacional, consolidando nossa capacidade de atrair capital e gerar transformação social”,  complementou Luana. 

Pajubá Tech

A startup cria projetos de capacitação e programas que promovem a transformação social, reafirmando seu compromisso com a inclusão e o impacto positivo na sociedade, além de prestar consultorias para empresas e instituições de ensino.

Entre as iniciativas mais conhecidas, estão o Pajú Zap – uma aplicação de chatbot integrado ao Whatsapp que recebe e monitora denúncias contra mulheres e pessoas LBTQIAPN+ – e o Summit Tech LGBTQIA+ Periférico,  evento de tecnologia e inovação pensado pela periferia e voltado para a periferia.

Integrada ao ecossistema de inovação, a Pajubá Tech participou do processo de pré-incubação 2025.2 do Porto Digital, realizado em parceria com o Sebrae e o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, e ficou entre os 10 negócios de destaque da edição. O demoday ocorreu na Arena de Negócios do Festival REC’n’Play, evento em que Luana Barbosa também atuou como curadora de diversidade.

Para João Apuã, o amadurecimento do projeto dentro do Porto Digital fortaleceu o compromisso com a comunidade LGBTQI+. “Caminhamos voltados para a nossa comunidade, buscando transformar o aprendizado que tivemos com o Pajuzap em um impacto significativo e acolhedor. Nosso olhar para o futuro não está na criação de novas inteligências artificiais, mas no fortalecimento da cidadania digital e da tecnologia social, para que as inovações respeitem nossa cultura e nossos valores”, afirma. Segundo ele, “a inovação só faz sentido se servir para proteger e valorizar as pessoas”.

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