Transformar uma boa ideia em um negócio sustentável e escalável continua sendo um dos maiores desafios do empreendedorismo no Brasil. Para fortalecer esse caminho, iniciativas de formação têm ganhado protagonismo ao oferecer capacitação, mentoria e acesso a mercados. No Porto Digital, essa jornada é estruturada por meio da incubadora de negócios, que acompanha startups desde a fase inicial até a internacionalização.

A proposta da esteira de empreendedorismo é atender negócios em diferentes níveis de maturidade empreendedora e tecnológica, oferecendo, por meio de seus programas, suporte adequado a cada etapa da jornada. Além de facilitar a inserção no ecossistema de inovação, as iniciativas incluem apoio na submissão a editais de fomento, disponibilização de estrutura de coworking gratuita, acesso a investidores e participação em eventos de conexão, como a Arena de Negócios do REC’n’Play.

Comunidade PD Startups celebra primeiro ano de conexões e mira expansão para fora de Pernambuco (Imagem: Macena/REC'n'Play)
Arena de Negócios do REC’n’Play é um dos benefícios dos programas de empreendedorismo do Porto Digital (Imagem: Macena/REC’n’Play)

Agora em fevereiro, o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), e o Porto Digital abriram as inscrições para diversas etapas de empreendedorismo: pré-incubação, incubação, pré-aceleração e internacionalização (conheça essas etapas mais abaixo).

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A jornada pode começar de forma orgânica, sem a necessidade de uma ação estruturada, ou ser impulsionada por ativações promovidas por agentes de inovação. Pâmela Dias, gestora da unidade Porto Digital Caruaru, Armazém da Criatividade, em Caruaru, acredita que iniciativas de sensibilização como hackathons, ideathons e eventos funcionam como portas de entrada para aproximar jovens e empreendedores do ecossistema de inovação e do Porto Digital.

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“Essas ações permitem, de forma rápida e acessível, o contato com metodologias de ideação e prototipação, além de estimular o trabalho em equipe, a troca com mentores e o desenvolvimento de soluções para desafios reais, despertando o interesse pelo empreendedorismo e por uma atuação mais profunda no ecossistema”, explica Pâmela.

Pré-incubação e incubação

A pré-incubação funciona como primeiro degrau elevado para quem ainda está na etapa de ideação, estruturando o modelo de negócio. Com duração média de 10 semanas corridas, no formato figital, que combina capacitação técnica por meio de oficinas, mentorias remotas com atividades presenciais, contribuindo para que os participantes desenvolvam competências essenciais para tirar ideias do papel. 

Na etapa seguinte, para negócios já formalizados e que contam com CNPJ e um Produto Mínimo Viável (MVP), o programa de incubação foca na consolidação das operações e no fortalecimento da capacidade de execução. O objetivo é preparar as startups para crescer de forma estruturada, reduzindo riscos comuns nos primeiros anos de atividade. Os participantes dessa fase contam com os mesmos benefícios da pré-incubação, mas com níveis de exigência mais aprimorados, alinhados com o nível de maturidade dos negócios atendidos. Além de ofertar assessoria técnica. A formação dura 10 semanas, com atividades recorrentes semanalmente, também no formato figital.

Gerson Ribeiro, CEO da Orion, startup incubada no ciclo 2025.2, ressaltou que a incubação foi fundamental para ampliar conexões e gerar oportunidades. “A incubação foi legal principalmente pelo contato com outras pessoas. Era justamente o que mais queríamos, não só o conteúdo, mas as conexões”, afirmou. Segundo ele, a experiência resultou em novos negócios e parcerias com empresas da região. “Surgiram negócios e avançamos com outras empresas locais, então foi muito positivo”, completou.

Pré-aceleração e internacionalização

O terceiro estágio da esteira tem uma segmentação maior de nivelamento, a pré-aceleração busca aprimorar seu Product-Market Fit (PMF), estruturar processos de vendas e preparar o negócio para receber investimento. Este programa foca na velocidade de execução, na validação de métricas de tração e no ajuste do modelo de negócios para escalabilidade. Pela natureza da proposta, são necessárias 12 semanas imersivas, com operação em modelo híbrido. 

A jornada avança para uma escala internacional, como a internacionalização, considerada o programa mais robusto do ecossistema. Voltado a empresas com faturamento anual mínimo de R$5 milhões, equipes dedicadas e produtos escaláveis, o processo tem duração de dez meses e ocorre em formato híbrido. São 10 meses de duração em formato figital. As startups selecionadas recebem assessoria jurídica e contábil para abertura de operações em Portugal, além de acesso à infraestrutura do Cais do Porto, em Aveiro.

Cais do Porto, em Aveiro (Portugal) (Crédito: Divulgação/Porto Digital)
Programa de internacionalização conta com o Cais do Porto, em Aveiro (Portugal) (Crédito: Divulgação/Porto Digital)

No último ciclo, para Vangelles Lemos, CEO da Verdana Tech, a participação no projeto representou um marco estratégico para a empresa. “A participação nesse projeto foi de grande relevância, pois viabilizou nossa entrada em um novo mercado e abriu oportunidades de contato com importantes polos de inovação em Portugal. A experiência foi ainda mais significativa com a participação no Web Summit, onde representamos o Porto Digital do Recife e estabelecemos conexões estratégicas fundamentais para o fortalecimento da nossa marca”, destacou.

Segundo Marcela Valença, Country Operations Manager do Cais do Porto, o principal desafio está em criar conexões efetivas entre o Brasil e o mercado europeu. “A internacionalização vai além da abertura de um escritório fora do país. Envolve inteligência de mercado, adaptação cultural e construção de parcerias estratégicas”, afirma.

De acordo com ela, o Cais do Porto tem se consolidado como um hub de softlanding para empresas brasileiras de tecnologia interessadas em expandir suas operações. Parcerias institucionais, como a firmada com o Serpro, reforçam a cooperação tecnológica entre Brasil e Portugal e ampliam o impacto da inovação, especialmente no setor público e nos serviços digitais.

Ecossistema e impactos

Os números que representam o trabalho da incubadora são expressivos. No último ano, mais de 400 negócios realizaram inscrições e cerca de 200 foram contemplados. A estratégia de expansão foi um diferencial, 80% dos empreendimentos foram dentro do Estado de Pernambuco, contemplando capital e interior, e 20% para outros Estados brasileiros. Bem como a internacionalização de 35 empresas. 

Para Karolline Brasileiro, head de empreendedorismo do Porto Digital, expandir os programas para além do Recife e da Região Metropolitana significa conectar iniciativas a outras regiões do estado e do país, significa criar portas de entrada para novos talentos que muitas vezes não se enxergam no ecossistema de inovação. “Essa estratégia só se concretiza por meio da conexão com uma rede diversa de parceiros locais, públicos e privados, que potencializam o impacto das ações, revelam vocações regionais e criam as condições para que novos destaques surjam e se consolidem no ecossistema de forma sustentável”, afirma.

Parcerias

Ao longo dos anos, o Porto Digital vem fortalecendo sua atuação por meio de parcerias com startups, comunidades, aceleradoras e parceiros estratégicos. Entre eles estão o Governo de Pernambuco, por meio da Secti, e o Sebrae Pernambuco. As colaborações ampliam o alcance das iniciativas, reforçam a credibilidade institucional e contribuem para a execução qualificada dos projetos.

Ao estruturar uma jornada contínua de desenvolvimento, o Porto Digital aposta no fortalecimento do ecossistema local como estratégia para gerar empregos, fortalecer comunidades, desenvolver talentos e ampliar a atuação das startups brasileiras no cenário global. Para os interessados em empreendedorismo inovador, os programas funcionam como um caminho guiado, estruturado, entre a ideia inicial e a atuação em mercados nacionais e internacionais.

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