Estudo global aponta que quatro em cada cinco grandes organizações já exploram, testam ou implementam aplicações da tecnologia, com destaque para manufatura e logística

IA Física promete transformar a colaboração entre humanos e robôs em empresas (Crédito: Magnific/Divulgação)

A inteligência artificial que ganhou notoriedade nos últimos anos por gerar textos, imagens e códigos começa a ultrapassar as telas dos computadores com a chamada IA Física (Physical AI).

Essa inovação desponta como a próxima fronteira tecnológica ao permitir que robôs compreendam o ambiente ao redor, tomem decisões em tempo real e executem tarefas de forma autônoma em cenários antes considerados complexos para a automação.

Esse avanço já desperta a atenção do mercado e é apontado como uma das principais tendências para os próximos anos. É o que mostra um estudo divulgado pelo Capgemini Research Institute, baseado em entrevistas com 1.678 executivos de grandes empresas de 16 países.

Segundo o levantamento, 79% das organizações já estão engajadas com a IA Física, seja explorando aplicações, conduzindo projetos-piloto ou implementando soluções em operações reais. Desse total, 28% já possuem implantações em ambientes produtivos, enquanto a maior parte ainda está nas fases de testes e validação.

O que é a IA Física?

IA Física promete transformar a colaboração entre humanos e robôs em empresas (Crédito: Magnific/Divulgação)

Ao contrário da robótica tradicional, baseada em comandos previamente programados, a IA Física combina modelos de inteligência artificial, sensores, visão computacional e aprendizado contínuo para que máquinas interpretem contextos, adaptem seu comportamento e interajam com pessoas e objetos em ambientes dinâmicos.

Na prática, isso significa que robôs passam a executar diferentes tarefas sem precisar ser reprogramados para cada situação.

O estudo identifica a indústria e a logística como os primeiros setores a liderar essa transformação. Nesses segmentos, a tecnologia já é utilizada para operações como movimentação de materiais, inspeções, montagem dinâmica de produtos e separação de mercadorias.

A expectativa é que, à medida que os modelos evoluam, aplicações se expandam para áreas como construção civil, agricultura, energia, saúde e seguros, onde os ambientes são mais imprevisíveis e exigem maior capacidade de adaptação.

IA Física deve transformar setores, dizem lideranças

Entre os entrevistados, 67% acreditam que a IA Física será transformadora para seus setores, enquanto 64% afirmam que ela se tornará um fator determinante de competitividade nos próximos anos.

Os principais benefícios esperados incluem aumento da produtividade, redução de custos operacionais, melhoria da qualidade dos processos, maior segurança para trabalhadores e mais resiliência das operações diante da escassez de mão de obra.

Barreiras

Apesar do entusiasmo, o relatório ressalta que a tecnologia ainda enfrenta desafios importantes antes de atingir adoção em larga escala. A principal barreira apontada pelos executivos é a maturidade tecnológica, citada por 73% dos entrevistados, que avaliam que questões relacionadas à confiabilidade e ao desempenho dos sistemas ainda precisam evoluir.

Em seguida aparecem os altos custos e a dificuldade de comprovar o retorno sobre investimento (63%), além de preocupações com segurança e da ausência de padrões consolidados (62%).

Robôs humanoides

O levantamento também trata dos robôs humanoides, frequentemente associados ao futuro da IA Física. Embora 53% das organizações já invistam ou planejem investir nesse tipo de equipamento, a própria Capgemini avalia que a adoção em larga escala ainda deve levar tempo.

Em média, os executivos estimam que os humanoides só estarão amplamente presentes nas empresas dentro de aproximadamente sete anos, enquanto apenas 30% acreditam que eles se tornarão trabalhadores de uso geral entre três e cinco anos.

Na avaliação dos autores, o avanço da IA Física representa uma mudança de paradigma semelhante à provocada pela IA generativa, mas agora aplicada ao mundo real. Em vez de apenas produzir conteúdo ou analisar informações, a tecnologia amplia a capacidade de robôs perceberem, raciocinarem e executarem ações, inaugurando uma nova etapa na colaboração entre humanos e máquinas.

A Capgemini, multinacional francesa e uma das líderes globais em serviços de consultoria, tecnologia e transformação digital, é uma das empresas embarcadas no Porto Digital.

Leia o relatório completo da Capgemini Research Institute clicando aqui.

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